A doença renal crónica consiste numa diminuição gradual da função dos rins, que ocorre ao longo dos anos. Estima-se que em Portugal uma em cada três pessoas tenha risco aumentado de desenvolver doença renal crónica devido a fatores de risco como a diabetes, a hipertensão, obesidade, etc. Se a doença renal é detetada precocemente, a medicação e as mudanças na alimentação e no estilo de vida podem prolongar a “vida” dos rins e permitir que o indivíduo continue a sentir-se bem por mais tempo.
A doença renal crónica evolui ao longo de cinco estadios, calculando-se que uma em cada 10 pessoas tem algum grau de doença renal crónica. O estadio mais severo ocorre quando se atinge uma função renal inferior a 15% do normal e quando se torna necessário recorrer a uma técnica de substituição da função renal, como diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou transplante. Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, em Portugal existem cerca de 20 mil pessoas neste estadio, das quais 12.500 em hemodiálise, cerca de 800 em diálise peritoneal e as restantes transplantadas.
De salientar que Portugal é um dos países da Europa com maior incidência de doença renal crónica. A incidência de doentes a iniciar uma terapêutica de substituição da função renal continua muito elevada, com cerca de 260 novos doentes por milhão de habitantes em 2019.
A doença renal crónica tem implicações com toda a saúde e bem-estar do indivíduo, com consequências como anemia, doenças ósseas, alterações do sono, alterações gastrointestinais, etc.
A anemia é uma condição em que o número de glóbulos vermelhos no sangue não é suficiente. Os glóbulos vermelhos são as partículas responsáveis pelo transporte do oxigénio dos pulmões para o resto do corpo. A anemia é uma doença grave e, se não for tratada, pode levar a outros problemas de saúde. Por exemplo, se existe uma diminuição do número de glóbulos vermelhos, o coração tem que trabalhar mais para manter estáveis os níveis de oxigénio no organismo. Se o coração trabalhar demasiado, o músculo cardíaco enfraquece, podendo originar insuficiência cardíaca.
A anemia pode causar sintomas como cansaço, falta de ar, tonturas, depressão, confusão mental, sensação de frio, perturbações do sono e falta de apetite.
O tratamento da anemia depende da causa subjacente. No caso da doença renal crónica, a causa mais comum da anemia é uma deficiência da hormona eritropoietina. Esta hormona é naturalmente produzida pelos rins saudáveis, para estimular a medula óssea a formar os glóbulos vermelhos na quantidade necessária. Neste caso os doentes são ensinados a injetar a hormona eritropoietina sintetizada em laboratório.
Adicionalmente, a doença renal limita a capacidade do organismo de absorver ferro no intestino, resultando numa deficiência de ferro. Na anemia da doença renal crónica, é, ainda, importante a manutenção de uma dieta equilibrada, contendo lacticínios, carnes magras, e frutas e vegetais frescos, nozes e leguminosas, no intuito de evitar carências nutricionais. Por vezes, é necessário um suplemento de ferro, vitamina B12 e/ou ácido fólico.


