"Integrado na mesa dedicada aos tumores digestivos da área hepato-pancreatobiliar vai ser revisto e discutido tema “Desafios na integração da terapêutica sistémica em estadios mais precoces” em hepatocarcinoma. Tema que viu aumentar o interesse com a apresentação e publicação de vários ensaios aleatorizados de fase 3 no último ano. A investigação da aplicação de tratamentos sistémicos em doentes com hepatocarcinomas em estadios precoces foi uma das áreas que observou muito poucos avanços nos últimos anos. De facto, doentes nestes estadios mantinham-se ausentes do seguimento por parte da Oncologia Médica por ausência de terapêuticas sistémicas com benefícios demonstrados.
A observação de respostas tumorais que permitiram o downstaging de doentes previamente considerados apenas candidatos para tratamentos de intuito paliativo observado com a aplicação de terapêuticas de combinação incluindo fármacos de Imunoterapia (checkpoint inhibitors), motivou um interesse pela aplicação destas combinações em estadios mais precoces. Nos diferentes estudos procurou-se aumentar o tempo de controlo de doença ou mesmo evitar o seu reaparecimento em doentes tratados com terapêuticas cirúrgicas ou ablativas num contexto adjuvante. De entre os estudos efetuados neste contexto, o estudo IMbrave050 foi o que recebeu maior destaque. Numa primeira apresentação os resultados promissores conduziram a uma séria discussão de mudanças de prática clínica, as quais acabaram por perder o seu ímpeto com a apresentação dos resultados de eficácia mais consolidados. No entanto, ficou a discussão, e a tentativa de compreender melhor como otimizar estas estratégias na sequência terapêutica destes doentes.
Em doentes mais avançados que são tratados com terapêuticas locorregionais foi também avaliado em diversos estudos o potencial da associação de TACE com terapêuticas sistémicas possibilitando uma maior capacidade de controlar a doença por um período mais longo. Os estudos EMERALD-1 e LEAP-012 vieram trazer com duas abordagens que partilham apenas o conceito (associação de checkpoint inhibitor a terapêutica anti-VEGF) uma nova visão para a abordagem terapêutica destes doentes. Em ambos os ensaios, foi demonstrado um impacto estatística e clinicamente significativo na melhoria do tempo de controlo da doença, conduzindo a uma discussão de mudança de prática clínica. Com esses dados a discussão passou do potencial benefício para como
o fazer e para o impacto que estas mudanças terão nas linhas subsequentes. De forma breve, estes dados serão revistos e discutidos tendo por base as abordagens atuais e seus problemas procurando-se integrar estes novos dados na prática clínica."
O artigo de opinião foi publicado no Jornal do Congresso.


