A diabetes é um dos principais desafios de Saúde Pública, associando-se a elevada morbilidade, mortalidade e elevados custos socioeconómicos. O aumento da sua prevalência exige políticas eficazes, focadas na prevenção, no diagnóstico precoce e numa gestão integrada da doença.
Os cuidados integrados surgem como um modelo essencial para otimizar o controlo da diabetes, reduzindo complicações evitáveis, melhorando a qualidade de vida dos doentes e tornando a gestão da doença mais eficiente.
A diabetes tipo 2 está fortemente associada a fatores de risco modificáveis, como obesidade e sedentarismo. Já a diabetes tipo 1 exige um controlo rigoroso da glicemia e terapêuticas personalizadas.
As políticas de Saúde devem incluir: › Rastreio precoce em grupos de risco, como pessoas com síndrome metabólica (no caso da diabetes tipo 2) e rastreio de familiares diretos (no caso da diabetes tipo 1); Promoção da literacia em Saúde, incentivando a autogestão da doença; › Políticas fiscais e regulatórias, como a taxação adicional de bebidas açucaradas/ultra processadas; Acesso a cuidados multidisciplinares, assegurando o acompanhamento por equipas médicas especializadas (Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Endocrinologia, Enfermagem, Nutrição, Psicologia e Farmácia).
A abordagem integrada melhora a continuidade dos cuidados e evita redundâncias terapêuticas. A digitalização da Saúde desempenha um papel crescente, através de: monitorização remota e telemedicina, otimizando o seguimento dos doentes; plataformas de partilha de dados (com implementação efetiva de interoperabilidade de sistemas) garantindo melhor articulação entre níveis assistenciais; novas terapêuticas e dispositivos, como sistemas de monitorização contínuos da glicemia e bombas de insulina híbridas (melhorando o controlo glicémico).
Apesar das vantagens, persistem barreiras nos serviços de Saúde atuais nomeadamente a fragmentação dos serviços de Saúde (dificultando a articulação entre especialidades), desigualdade no acesso a terapêuticas avançadas, (prejudicando populações vulneráveis) e escassez de recursos humanos qualificados (limitando a adoção de equipas multidisciplinares).
O investimento na capacitação dos profissionais de Saúde e na reestruturação dos modelos de financiamento (com criação de centros de responsabilidade integrados para gestão de doenças crónicas) será essencial para ultrapassar estas limitações. A eficácia das políticas de Saúde na diabetes dependerá da implementação de abordagens integradas, baseadas em evidência científica e adaptadas às necessidades das populações.
A transição para um modelo centrado na prevenção, no diagnóstico precoce e na continuidade dos cuidados pode reduzir de forma significativa o impacto da doença a longo prazo.
Para isso, os sistemas de Saúde devem investir na digitalização dos serviços, na formação contínua dos profissionais de Saúde e na criação de ambientes que incentivem estilos de vida saudáveis.
O envolvimento da sociedade civil e das próprias pessoas com diabetes no processo de decisão é igualmente essencial para garantir estratégias eficazes e sustentáveis. Em suma, a diabetes continuará a ser um dos principais desafios de Saúde pública, mas a adoção de políticas baseadas em cuidados integrados pode transformar significativamente o panorama atual.
A colaboração entre profissionais de Saúde, doentes e decisores políticos será determinante para um futuro em que a diabetes seja gerida de forma mais eficaz, com menor impacto na qualidade de vida das pessoas e na sustentabilidade dos sistemas de Saúde.
Este artigo foi redigido para o Jornal do Congresso.


