A retinopatia diabética é uma das principais causas de cegueira evitável a nível global, sendo tradicionalmente associada a pessoas com diabetes diagnosticada. No entanto, estudos recentes sugerem que indivíduos com pré-diabetes podem apresentar alterações microvasculares na retina, ainda antes da progressão para diabetes tipo 2. Dado o crescente número de pessoas em risco, torna-se essencial refletir sobre o impacto do rastreio precoce na Saúde Pública.
O pré-diabetes é uma condição silenciosa, muitas vezes sem sintomas, mas com implicações significativas para o futuro da saúde ocular e metabólica as pessoas. Embora o rastreio da retinopatia diabética esteja bem estabelecido em doentes com diabetes, a sua extensão a pessoas com pré-diabetes pode representar uma oportunidade para intervenção precoce, permitindo não só a prevenção da cegueira, mas também a identificação de indivíduos com risco elevado de progressão para diabetes.
Na perspetiva da saúde pública, implementar o rastreio da retinopatia diabética em pessoas com pré-diabetes implica desafios e benefícios. Por um lado, pode significar um aumento da carga sobre os serviços de saúde, exigindo recursos humanos e tecnológicos adicionais. Por outro, permite a adoção de medidas preventivas mais precoces, incluindo otimização do estilo de vida e controlo de fatores de risco, como hipertensão arterial e dislipidemia. Além disso, o rastreio pode fomentar uma maior sensibilização para a importância do controlo glicémico, promovendo mudanças comportamentais essenciais para a prevenção da diabetes e das suas complicações.
A integração do rastreio da retinopatia diabética em pessoas com pré-diabetes nos programas de saúde pública poderá representar um passo importante na promoção de uma abordagem mais preventiva e centrada na deteção precoce. O debate sobre a relação custo-benefício deste rastreio ainda está em aberto, mas os potenciais ganhos em saúde – incluindo a redução da progressão para cegueira e diabetes – justificam a sua consideração como parte das estratégias de prevenção primária e secundária.
Este artigo de opinião foi redigido para o Jornal do 21.º Congresso Português de Diabetes, que pode ler na íntegra aqui.


