Este entusiasmo nem sempre é acompanhado por preparação física, supervisão técnica ou consciência de limites individuais. Assim sendo, tem-se observado uma crescente incidência de queixas articulares relacionados com estes desportos: crossfit, corrida e padel.
O crossfit é uma modalidade de alta intensidade que combina levantamento de peso, com ginástica e uma componente de cardio. Esta modalidade ganhou popularidade pela variedade, desafio físico e espírito de comunidade.
A literatura mostra que há uma incidência de duas a três lesões por 1000 horas de treino, sendo a maior parte delas no ombro, pelos movimentos repetitivos; do joelho, pelos exercícios de impacto; e coluna lombar, por técnica imperfeita e cargas elevadas.
A corrida é uma das formas de exercício mais acessíveis e mais praticadas. Os seus principais atrativos são a simplicidade, o baixo custo e os benefícios cardiovasculares.
Estima-se que 20% a 70% dos corredores amadores desenvolvem uma lesão ao longo do ano. A monotonia biomecânica, as superfícies duras, o calçado inadequado e a fraqueza muscular são fatores que predispõem a lesões, frequentemente evitáveis com preparação adequada.
As síndromes patelofemorais, resultam de desequilíbrios entre o quadríceps e os estabilizadores da anca, exacerbados durante a corrida; a tendinopatia do Aquiles e as fraturas de stress, em aumentos súbitos de volume de treino e a fasceíte plantar, muitas vezes causada pela prática com calçado inadequado. Estas resultam maioritariamente da sobrecarga cumulativa e não de traumatismos agudos, o que reforça o papel do médico na identificação de fatores de risco e orientação do treino.
Já o padel tem-se afirmado como uma das modalidades desportivas com maior crescimento nos últimos anos dado o seu carácter social e aprendizagem fácil. No entanto, o padrão de jogo com arranques, travagens bruscas e movimentos de pivot, e as ações repetitivas dos membros superiores, expõem os praticantes a diversas lesões.
Destacam-se, entre as lesões mais prevalentes, a epicondilite lateral e as tendinopatias da coifa dos rotadores, resultantes de movimentos repetitivos que causam microtraumatismos nas inserções tendinosas, potenciados por gestos mal executados, défice de reforço muscular e sobrecarga funcional.
Nos traumatismos agudos, temos as entorses do tornozelo e joelho, causados pelas mudanças bruscas de direção, apoios desequilibrados e pisos inadequados. Ao nível do tornozelo, a lesão mais comum é no ligamento peroneo-astragalino anterior, com bom prognóstico devido à sua vascularização e anatomia favorável. Já no joelho, as entorses podem afetar o ligamento colateral medial ou, mais preocupante, o ligamento cruzado anterior, cuja recuperação implica uma evicção desportiva prolongada e poderá levar a cirurgia, principalmente em atletas jovens e ativos.
Cabe ao médico reconhecer os sinais precoces de sobrecarga articular e atuar na orientação da prática segura. A avaliação funcional, o aconselhamento sobre progressão gradual, técnica e reforço muscular são essenciais para maximizar os benefícios e prevenir as lesões. Promover a atividade física é essencial, mas garantir a sua segurança é uma responsabilidade partilhada entre médico e desportista.


