Prof. Doutor Manuel Teixeira Veríssimo: “A Medicina Interna é uma especialidade holística”
Redação News Farma
29/07/14
Uma das "maiores sociedades médicas portuguesas" já tem o próximo congresso agendado para maio de 2015 com o lema "Os elos da Medicina". Em entrevista, o Prof. Doutor Manuel Teixeira Veríssimo, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, explica que a escolha não foi feita por acaso. Nas suas palavras, porque "a Medicina Interna é uma especialidade holística, ligada a várias áreas da Medicina e a diferentes especialidades".Médico News - O que é que encontrou quando assumiu a presidência da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI)?
Prof. Doutor Manuel Teixeira Veríssimo - Encontrei uma grande Sociedade, das maiores sociedades médicas portuguesas, com mais de 2000 médicos internistas. A SPMI é bas¬tante ativa e as direções anteriores desenvolveram um excelente trabalho na área de divulgação e promoção, bem como em termos de apoio aos associados. Naturalmente, existem sempre aspetos para melhorar e ainda por implementar, o que será realizado por esta direção. Ou seja, pensamos não só complementar o trabalho que tem sido feito pelas direções anteriores, mas também inovar e melhorar.
MN - Quais as expectativas acerca deste desafio?
MTV - Esperamos poder contribuir para uma Medicina Interna ainda melhor em Portugal, com mais qualidade, que os seus membros sejam bem formados e que assim possamos contribuir para um melhor sistema de saúde português, no fundo para a melhor saúde dos doentes.
MN – Poderia apontar algumas das atividades da Sociedade?
MTV - A SPMI tem 13 núcleos de estudo, que congregam especialistas com gostos por determinadas áreas, desde doenças autoimunes, geriatria, cuidados intensivos, cuidados paliativos, diabetes, doença pulmonar vascular e, entre outras, doença vascular cerebral. A existência destes grupos resulta numa atividade importante e diversificada da própria Sociedade, porque têm as suas próprias atividades, organizam reuniões anuais e emitem determinados tipos de pareceres ou publicações. A área editorial da SPMI é igualmente muito dinâmica, nomeadamente a edição da revista Medicina Interna, que pensamos indexar. Ainda na área editorial, vamos reformular a revista Medicina Interna Hoje, de cariz mais social, onde se dá conta de atividades mais generalistas acerca da Medicina Interna. De 3 em 3 meses, divulgamos aos nossos sócios o Boletim Informativo, com as atividades da Sociedade, e vamos criar uma revista de casos clínicos online, especialmente porque temos muitos internos da especialidade com especial interesse por esta área.
MN – Para além dos projetos editoriais, o Con¬gresso Anual da SPMI encontra-se entre as várias atividades...
MTV – Exato. Neste momento, o Congresso da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna é um dos maiores congressos realizados a nível nacional. O último decorreu na Madeira, contou com 1400 participantes, o que limitou um pouco, visto o anterior, realizado em Vilamoura, ter tido 1700 inscritos. O próximo, em maio de 2015, vai voltar a ser realizado no Algarve e será presidido pelo Dr. Luís Campos.
MN - Qual é a mais-valia deste Congresso para os especialistas em Medicina Interna?
MTV – É possível dividir as mais-valias em dois grandes grupos. Por um lado, a valia científica, por ser um sítio onde os participantes têm a oportunidade de fazer uma atualização do que de mais importante aconteceu na área científica da Medicina Interna, assim como discutir diversos aspetos e também apresentar trabalhos. O ano passado contamos com 1200 apresentações e posters científicos, portanto é um palco da apresentação da investigação e de casos clínicos.
Por outro lado, também julgo interessante a possibilidade de anualmente os médicos internistas poderem encontrar-se e sedimentar amizades, conhecimentos, bem como criar um certo espírito de corpo da própria especialidade. Afinal, nem só de ciência vive o homem.
MN – O lema já foi escolhido?
MTV – Sim, temos delineado o lema "Os elos da Medicina".
MN – A que se deve esta escolha?
MTV - Porque a Medicina Interna é uma especialidade holística, ligada a várias áreas da Medicina e a diferentes especialidades. Assim, com este lema pretendemos enfatizar essa ligação como especialidade mãe, como entidade promotora entre todas as especialidades médicas.
MN - A SPMI tem parcerias com outras sociedades científicas de outras especialidades?
MTV - De um modo geral, mantemos uma boa relação com outras especialidades portuguesas, em particular com a Medicina Geral e Familiar, igualmente holística. Temos ainda uma relação muito especial com a Federação Europeia de Medicina Interna, sendo que participamos com regularidade nos seus eventos e temos inclusive vários médicos internistas portugueses em grupos de estudo e de trabalho. Por exemplo, o Dr. Faustino Ferreira é o tesoureiro da Federação Europeia e a Dr.ª Carla Araújo preside a subdivisão dos jovens internistas.
MN - Qual é a importância da relação da Sociedade com as congéneres europeias?
MTV – Existem vários interesses. Por um lado, conhecermo-nos uns aos outros, sabermos o que se faz em cada um destes países europeus, onde há alguma heterogeneidade, particularmente entre os países do norte e os países do sul, que tem muito a ver com os próprios sistemas de saúde. Por outro, tem a vantagem de podermos estabelecer estratégias comuns que sirvam para desenvolver a Medicina Interna na Europa, a nível da formação ou da investigação. A própria Federação Europeia tem uma fundação para a investigação que fomenta a investigação ao nível dos vários países e da realização de estudos multicêntricos a nível dos vários países e também organiza, duas vezes por ano, cursos de especialização para jovens especialistas.
MN – A SPMI pretende criar um centro de formação inserido na própria Sociedade. Poderia especificar os projetos na área da formação?
MTV – O nosso núcleo de estudos foi criado por internistas com a missão de incentivar a formação no nosso centro, que funciona na sede da SPMI e está neste momento a ser remodelado. O auditório ficará com capacidade para 50 lugares e pensamos disponibilizar formação acreditada pela Ordem dos Médicos e pelo Ministério da Saúde, assim como ter formadores devidamente credenciados e com o curso de formação para formadores. Apesar dos cursos serem na sua maioria presenciais, pretendemos que alguns possam ser realizados através de e-learning e igualmente validados e certificados. Será assim mais uma metodologia que disponibilizaremos aos internistas.
Texto original publicado na revista Médico News, N.º 9, maio/junho 2014


