Uma formação de qualidade e referência nacional
Redação News Farma
26/03/15
"O mundo atual é extremamente exigente em termos de qualidade, por isso, é indispensável que todos os profissionais estejam atualizados e tenham armas para fazerem as melhores opções em termos de rastreio, diagnóstico e terapêutica", explica o Prof. Doutor Davide Carvalho sobre a importância da atualização de conhecimentos dos profissionais de saúde, oferecida no XXI Curso de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo.Em entrevista à News Farma, o coordenador do curso apresenta as expectativas e novidades para esta formação que "passou a ser uma referência de exigência e qualidade a nível nacional".
News Farma - O que é esperado da 21.ª edição do Curso Pós-Graduado de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo?
Prof. Doutor Davide Carvalho - Os Cursos Pós-Graduados de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo visam simultaneamente colmatar lacunas na formação de pré-graduada e atualizar os conhecimentos científicos dos profissionais de saúde nesta área. As modificações do estilo de vida são das intervenções mais eficazes, mas também mais difíceis de implementar em algumas áreas da endocrinologia como a obesidade, a diabetes e a dislipidemia. Contaremos com intervenções sobre nutrição onde destaco a conferência sobre utopias alimentares, e sobre o exercício físico. Destacaria a importância, por exemplo, da atividade física quando doentes com isquemia miocárdica iniciam um programa de reabilitação cardíaca e a necessidade de ajuste das terapêuticas farmacológicas que efetuam quando iniciam estes programas.
O curso contará também com a discussão de casos que visarão discutir os aspetos da semiologia clínica e laboratorial de diversas patologias – hipo e hipertiroidismo, nódulo da tiroide, osteoporose, ginecomastia, dislipidemia - numa perspetiva de até onde deverá o especialista de Medicina Geral e Familiar ir e quando deve referenciar para os serviços hospitalares. Teremos ainda debates sobre novas áreas como a dos biosimilares, que em breve estarão disponíveis no mercado e que constituirão um desafio na prática diária. Analisaremos ainda a problemática dos achados ocasionais que a vulgarização dos estudos de imagem causou, com a verdadeira epidemia dos incidentalomas da suprarrenais e da hipófise.
NF - Uma das novidades é a realização do I Curso de Enfermagem em Endocrinologia. O que é esperado deste curso?
DC - Os enfermeiros são, cada vez mais, profissionais constituintes das equipas que acompanham a população quer na prevenção quer no tratamento de muita patologia endocrina. É importante, por isso, colaborar na sua formação. Obviamente a formação interpares é importante e por isso elaboramos um programa bastante vocacionado para a atualização na área da diabetes, não descurando breves revisões das outras patologias endócrinas.
NF - O curso avançado também terá novidades em quatro áreas da Endocrinologia. Que novidades são essas?
DC - O curso avançado abordará este ano os paragangliomas/feocromocitomas, a diabetes, as doenças metabólicas e os tumores hipofisários. Se na diabetes é fácil compreender os enormes desafios que se colocam pela crescente prevalência desta doença, no caso dos tumores da medular suprarrenal, a autêntica revolução que constituiu a caracterização das causas genéticas que passaram de cerca de 10 para mais de 30%, e os avanços no diagnóstico e na terapêutica que a medicina nuclear nos traz são a justificação para a sua inclusão. As doenças metabólicas, nomeadamente os erros inatos do metabolismo e a dislipidemia serão objeto de atualização. O contributo para o diagnóstico e também os novos dados dos anticorpos monoclonias anti PCSK9 em termos de eficácia e segurança são abordados numa perspetiva prática.
NF - O que apresenta mais de novo em relação à edição anterior?
DC - Este ano contaremos com uma sessão em que depositamos uma grande expetativa pela abertura à participação individual: traga os seus casos, nós discutimos.
NF - Qual a importância da formação pós-graduada para os participantes?
DC - O mundo atual é extremamente exigente em termos de qualidade, por isso, é indispensável que todos os profissionais estejam atualizados e tenham armas para fazerem as melhores opções em termos de rastreio, diagnóstico e terapêutica. Importa também um diálogo interprofissional.
NF - O que foi tido em consideração a escolha dos assuntos?
DC - Os temas foram escolhidos de acordo com a prevalência das patologias, mas também contamos com uma excelente colaboração dos colegas dos Agrupamentos de Centros de Saúde da área do nosso hospital – Porto Oriental e Maia-Valongo.
NF - Durante o evento vão ser atribuídos quatro prémios. Qual a importância destas distinções?
DC - Os prémios para a contribuição científica na área da Endocrinologia, da Nutrição e da Medicina Geral e Familiar são já uma tradição. Para além de contribuir para a investigação clínica, nomeadamente pelos incentivos económicos, também relembram três personalidades da história do serviço: o Professor Manuel Pinheiro Hargreaves, o Dr. Emílio Peres e o Dr. Luís Marques.
NF - Quantos participantes são esperados?
DC - Neste momento temos cerca de sete centenas de participantes inscritos, o que significa um aumento de 15% em relação ao ano anterior. Recebemos 50 comunicações livres que serão discutidos por um júri de especialistas na área, sendo 32 por médicos de Medicina Geral e Familiar. O nosso curso passou a ser uma referência de exigência e qualidade a nível nacional: teremos participantes do norte maioritariamente mas também do sul e ilhas.
NF - O Dr. José Pedro Lima Reis vai ser homenageado. Em que consistirá a homenagem?
DC - O Dr. Lima Reis foi chefe de serviço do nosso serviço. Desempenhou um papel fundamental na história do serviço onde trabalhou desde a sua criação. Foi um elemento marcante na formação de muitos e especialistas de endocrinologistas, mas também de nutricionistas de norte a sul do país. A homenagen será singela e sentida por parte de todos os elementos que passaram pelo serviço. Contaremos com uma conferência pelo homenageado sobre os mitos da nutrição de hoje.


