NF | O que representa organizar um evento como o Congresso Nacional de Medicina Intensiva?
Dr. Antero Fernandes | O Congresso nacional é o maior evento científico nacional multitemático na área da Medicina Intensiva em Portugal. Ambicionamos fazer do XVIII Congresso Nacional de Medicina Intensiva um evento de transcendente importância na Medicina Intensiva Portuguesa, com impacto nos profissionais, nas instituições e nos cidadãos em geral. Tendo em conta este objetivo, convidamos oradores nacionais e internacionais de grande relevância e prestígio, pois teremos em debate temas de enorme atualidade e interesse para os profissionais.
NF | "Emergência, Urgência e Medicina Intensiva" é o tema do Congresso. Qual o motivo desta escolha?
AF | Num país em que o deficit de profissionais adequadamente treinados em Emergência, Urgência e Medicina Intensiva é marcado, torna-se assim crucial, para a prestação de cuidados de saúde de qualidade às populações, a discussão alargada destas questões. Trata-se de um tema atual, à luz dos recentes acontecimentos vividos em vários hospitais portugueses, onde por vezes não é fácil estabelecer as fronteiras entre estas importantes áreas da medicina humana.
NF | Qual o principal objetivo deste Congresso?
AF | Abordar em profundidade a problemática da urgência atual, sua organização e desenvolvimento, articulação funcional com a emergência e a medicina intensiva, o ensino e obviamente as patologias frequentes no contexto.
NF | O que é esperado deste encontro?
AF | Tornar o Congresso uma experiência memorável e reforçar o nosso empenho no desenvolvimento da Medicina Intensiva portuguesa. Espera a direção da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, no cumprimento dos objetivos que estipulou para o seu mandato, que este seja um Congresso dinâmico, arrojado e amplamente participativo.
NF | Esta edição apresenta alguma novidade em relação à anterior?
AF | No essencial não. Promovemos, no entanto, uma maior abertura aos intensivistas de nova geração convidando-os a participar de forma mais ativa no programa científico do Congresso.
NF | O que foi considerado na elaboração do programa científico?
AF | Tal como em anos anteriores, contamos com a colaboração das Secções que integram a Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos, que contribuem para a diversidade e enriquecimento científico dos Congressos de Medicina Intensiva, através da atualização das últimas evidências e pela partilha de práticas de intervenção.
NF | O programa é setorial, sendo dirigido a médicos e enfermeiros...
AF | A SPCI é uma sociedade mista composta essencialmente por médicos e enfermeiros, daí a existência de programas setoriais que refletem o tema global do Congresso "Emergência, Urgência e Medicina Intensiva". Quer o programa médico, quer o programa de enfermagem foram elaborados na perspetiva de permitir um enriquecimento da capacidade interventiva dos profissionais no dia-a-dia, promovendo a qualidade dos cuidados prestados.
NF | A legionella é uma doença discutida junto das duas classes de profissionais. Qual o papel da Medicina Intensiva na resolução dos casos de legionella?
AF | A legionella é um microrganismo cada vez mais reconhecido como causa de pneumonia, nomeadamente de formas graves. O tratamento antibiótico precocemente instituído é geralmente eficaz, mas continua a haver casos graves com falência respiratória ou mesmo multiorgânica. A avaliação objetiva da gravidade é uma ferramenta clínica fundamental para tomar uma das principais decisões no manejo destes doentes, se hospitalizar ou manuseá-los de forma ambulatória.
Existem dados suficientes na literatura que demonstram que se estratificarmos apropriadamente os doentes por critérios de gravidade, a sua abordagem intra-hospitalar em ambiente de cuidados intensivos para tratamento específico e de suporte pode melhorar o prognóstico das formas mais graves.
Face ao recente surto epidémico no nosso País, a SPCI promoveu em pareceria com os serviços/unidades de cuidados intensivos que receberam doentes infetados por Legionella, um estudo científico visando definir as características clínicas dos doentes neles internados. Aguardamos com expectativa os resultados deste estudo, que serão apresentados no Congresso.
NF | Para além deste Congresso, que outras ações é que a SPCI desenvolve?
AF | Para além do Congresso Nacional, em continuidade com o efetuado pelas anteriores direções promovemos anualmente no mês de novembro uma reunião monotemática com sociedades científicas congéneres de interesse para a Medicina Intensiva. Este ano realizar-se-á em Coimbra e será dedicada às Neurociências: Neurocirurgia, Neurologia e Neurorradiologia. Pretendemos uma participação de base alargada, o reforço de conhecimentos e competências práticas alicerçadas em recomendações, algoritmos e a sistematização de boas práticas baseadas na melhor evidência.
Também realizámos com frequência atividades formativas integradas, em parcerias com várias entidades nacionais e internacionais com prestígio institucional e científico, dirigidas à formação de enfermeiros e de internos de medicina intensiva. Neste âmbito, este ano, no nosso XVIII Congresso Nacional, realizaremos nove ações formativas, traduzidas em cursos pré-congresso ligados à temática geral do Congresso.
A SPCI tem capacidade para realizar vários cursos monotemáticos e, em breve, ampliaremos a nossa capacidade formativa na área de Medicina Intensiva e Emergência.
Um meio privilegiado de promoção do progresso da Medicina Intensiva é a nossa revista científica, que está associada à revista brasileira de Medicina Intensiva (RBTI), indexada à Medline, como forma de manter padrões de qualidade e validade científica desejáveis. Um dos objetivos principais deste mandato é o de garantir a curto prazo o acesso dos nossos associados às principais revistas científicas médicas e de enfermagem da especialidade e afins, através da assinatura institucional de uma base de dados e do estabelecimento de protocolos com instituições científicas especificas.
Aceda às fotografias do Congresso na fotogaleria.
XVIII Congresso de Medicina Intensiva reúne mais de 500 participantes
Redação News Farma
11/05/15
Decorre até 12 de maio o XVIII Congresso Nacional de Medicina Intensiva, organizado pela Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos. "Propomo-nos reunir mais de 500 participantes, que para a dimensão de uma sociedade científica como a nossa representa um objetivo ambicioso", afirma o Dr. Antero Fernandes, presidente da Sociedade, especialista em Medicina Interna, subespecialista em Medicina Intensiva, competência em Emergência Médica e diretor do Serviço de Cuidados Intensivos do Hospital Garcia de Orta. 

