DPOC em Portugal: projetos do GARE para o biénio 2015/2016

Wim Roosens, MD, coordenador técnico do GARE
03/06/15
DPOC em Portugal: projetos do GARE para o biénio 2015/2016A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) tem sido reconhecida como uma das principais causas de morbilidade e de mortalidade na Europa. Esta doença constitui, na atualidade, um problema significativo para os indivíduos, as sociedades e os orçamentos de saúde, sendo de esperar que o seu impacto aumente nas próximas décadas, em parte devido ao envelhecimento da população e ao facto de aqueles que vivem mais apresentarem uma maior probabilidade de experimentarem as consequências da exposição prolongada a fatores de risco para DPOC.


A determinação da prevalência de DPOC, a avaliação dos recursos disponíveis e dos recursos necessários a uma gestão otimizada da doença, e o conhecimento da prática clínica associada, tornam-se assim, fatores essenciais para avaliar o impacto desta patologia sob o ponto de vista da incapacidade que provoca, dos custos com cuidados de saúde que lhe estão associados e do compromisso da qualidade de vida do doente, bem como para informar e apoiar os governos e os responsáveis pelo planeamento da saúde na avaliação de necessidades e de custos de saúde potenciais.

Em 2013 a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) criou uma plataforma, o Gabinete de Monitorização da Doença Respiratória (GARE), a qual tem como objetivo reunir informação atualizada sobre as doenças respiratórias, contribuindo para o aumento do conhecimento das mesmas em Portugal.

O GARE encontra-se em fase de implementação com dois projetos: o Estudo EpiDPOCpt e o Estudo EvaluateDPOCpt. O objetivo principal do primeiro é o de determinar a prevalência de DPOC na população portuguesa. No segundo, pretende-se, essencialmente, avaliar a relação entre a prática clínica, os fatores organizacionais e clínicos e os respetivos outcomes em doentes admitidos em hospitais portugueses devido a exacerbação de DPOC. Para o efeito, o GARE constituiu um Steering Committee composto pelos seguintes membros: Dr.ª Paula Simão, Dr. João Almeida, Dr.ª Alexandra Catarino, Dr. Joaquim Moita, Dr.ª Fátima Rodrigues, Dr. João Cardoso e Prof.ª Doutora Hermínia Brites Dias. Adicionalmente, e com vista à implementação dos estudos em questão, recorreu ao apoio de uma Contract Research Organisation, a W4Research CRO.

Sob o ponto de vista metodológico, o EpiDPOCpt constitui um estudo epidemiológico, transversal, de uma amostra representativa da população portuguesa com 30 ou mais anos de idade (aproximadamente 10000 participantes), desenvolvido por realização de questionário e de espirometria, revista e validada por um painel de médicos e de técnicos de cardiopneumologia credenciados. O EvaluateDPOCpt é um estudo observacional, transversal, multicêntrico, com um período de 90 dias de follow-up, prevendo-se a participação de 16 hospitais portugueses e o recrutamento de aproximadamente 1200 doentes.

No presente, após o desenvolvimento dos protocolos dos estudos e dos materiais que lhes são inerentes, bem como, do plano de comunicação para os mesmos, prevê-se que a recolha de dados para o EpiDPOCpt tenha lugar entre maio e agosto de 2015, e que a recolha para o EvaluateDPOCpt decorra entre novembro de 2015 e fevereiro de 2016. Desse modo, assume-se como objetivo a apresentação de resultados preliminares do EpiDPOCpt durante o Congresso da SPP de 2015.

Os estudos apresentados e a informação que deles advirá representam ferramentas essenciais e complementares, com inquestionável valor e utilidade, quer para os indivíduos, quer para os setores da saúde e da economia do país. Por um lado, tornar-se-á possível a determinação exata e atualizada da prevalência de DPOC em Portugal, assim como, avaliar possíveis diferenças entre as regiões do país, o que proporcionará informações úteis à definição de estratégias e políticas nacionais e regionais que vão ao encontro de necessidades concretas em termos de consciência, prevenção, tratamento e otimização de custos. Em simultâneo, será possível reunir informação concreta e atualizada quanto aos dados clínicos dos doentes com DPOC, bem como, em relação aos recursos e à organização dos cuidados de cada hospital, possibilitando a comparação entre hospitais e a definição de guidelines que possibilitem uma melhor organização dos cuidados disponibilizados e uma maior adequação dos recursos existentes, contribuindo-se, desse modo, para um aumento da qualidade e da eficiência dos cuidados prestados e, consequentemente, para uma redução dos custos assistenciais.

Por Wim Roosens, MD, coordenador técnico do GARE.

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