A inovação na Medicina em debate pela comunidade internacional de estudantes

Redação News Farma
08/06/15
A inovação na Medicina em debate pela comunidade internacional de estudantesEste ano decorre a 7.ª edição do iMed - Innovating Medicine Conference®, um congresso científico internacional, organizado por estudantes, para estudantes. Em entrevista à News Farma, Diogo Luz, presidente da comissão organizadora do iMed Conference 7.0, faz um balanço das edições passadas e apresenta as expectativas para o evento que tem lugar de 17 a 20 de setembro, no Centro Cultural Belém.


News Farma | No que consiste o iMed - Innovating Medicine Conference®?
Diogo Luz | O iMed Conference® é o evento científico que reúne em Lisboa os maiores nomes da Medicina a nível mundial. Somos um projeto direcionado à comunidade nacional e internacional de estudantes de Medicina e das Ciências da Vida, organizado anualmente pela Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (AEFCML).
No iMed acreditamos em mais do que trazer oradores conceituados ou investigações de referência. Acreditamos, sim, em fazer a diferença - em inspirar a nossa geração de futuros cientistas e médicos, em incentivar a investigação e o desenvolvimento, em motivar para o sucesso - e, dessa forma, contribuir para o progresso da ciência a nível mundial.

NF | Que balanço faz das seis edições passadas?
DL | Um balanço bastante positivo. Nas últimas edições conseguimos crescer tanto em número de participantes como na qualidade do nosso painel científico com uma rapidez excecional, tornando-nos agora num dos maiores e melhores congressos para estudantes das ciências da vida a nível mundial.

NF | Como classifica o crescente número de participantes?
DL | Acho que é uma consequência natural da consistência da qualidade que o iMed tem vindo a mostrar nos últimos anos. Essa qualidade traz consigo um interesse crescente da comunidade estudantil nacional e internacional que, ao possibilitarmos um espaço excecional como o Centro Cultural de Belém, se traduz num número cada vez maior de participantes no nosso congresso.

NF | Considerado o melhor encontro do género a nível europeu, como explica o seu sucesso tendo em conta que é um evento organizado por jovens estudantes?
DL | Pessoalmente considero que o facto de o iMed ser organizado "por estudantes para estudantes" está na génese de grande parte deste sucesso. Esta situação possibilita-nos construir o congresso que "queremos ver" e, como tal, acabamos por ter sempre temas e atividades interessantes que fazem sucesso entre os nossos participantes.

NF | Qual o impacto do iMed em Portugal?
DL | O nosso objetivo final é ter impacto nas ambições dos estudantes e levá-los a sonhar mais alto. É à volta deste conceito que montamos o congresso todos os anos, razão pela qual espero que estejamos a conseguir contribuir para a excelência na área das ciências da saúde e para o progresso da ciência tanto a nível nacional como internacional.

NF | O que se espera da 7.ª edição a decorrer de 17 a 20 de setembro, no Centro Cultural de Belém?
DL | Os participantes podem esperar novamente um programa científico de excelência, com laureados Nobel e autores das maiores "bíblias" internacionais da medicina, assim como uma nova competição que os pode levar a estagiar nos maiores centros de investigação internacionais. Adicionalmente, mantemos um programa social de muito boa qualidade, possibilitando aos nossos participantes as oportunidades de networking que se tornam importantes num congresso cada vez mais internacional.
Poderia ainda escrever mais dois ou três parágrafos sobre o assunto, mas aconselho os leitores a visitarem o nosso website – www.imedconference.org – onde poderão consultar tudo o que o congresso tem para oferecer nesta edição.

NF | Em sete anos, o iMed conseguiu trazer seis Prémios Nobel. Há novidades para este ano?
DL | Este ano, não sendo exceção à regra, trazemos outro laureado Nobel – Sir Timothy Hunt – que nos irá contar a história de como chegou a esse tão ambicionado prémio. Adicionalmente, trazemos os dois autores das duas principais "bíblias" da medicina, o Professor Joseph Loscalzo, editor do "Harrison's Principles of Internal Medicine" e o Professor Charles Brunicardi, editor do "Schwartz Principles of Surgery", de entre duas dezenas de oradores internacionais que se encontram atualmente no topo das suas respectivas áreas.

NF | Qual é o tema central deste encontro?
DL | O tema central, como sempre, é a inovação na medicina. Todos as palestras que os participantes irão ouvir serão sobre novas descobertas em diversos campos da medicina que, em muitos casos, podem vir a alterar o paradigma da prática clínica na sua respetiva área.

NF | O programa científico conta com uma sessão sobre a prática clínica num cenário de guerra. O que conduziu à escolha deste tema e o que será abordado?
DL | A medicina em cenário de guerra tem sido um tema que nos últimos anos tem suscitado bastante interesse junto dos nossos participantes e, por isso, decidimos incluir na 7.ª edição congresso. Há sempre uma curiosidade inerente à prática da medicina nestes contextos pois, muitas vezes, é onde se encontram os casos mais graves e os recursos mais escassos, remetendo para a qualidade do médico uma importância que não se encontra no dia-a-dia hospitalar.
A palestra irá abordar exatamente o trabalho diário de um médico, neste caso da NATO, em cenários de conflito. Dando a oportunidade aos nossos participantes de perceber quais os desafios que estes enfrentam e as soluções pouco habituais a que muitas vezes têm de recorrer.

NF | Destaca-se ainda a abordagem à doença bipolar na perspetiva de um médico que também é doente. Esta é uma situação recorrente?
DL | É uma questão que ainda hoje é difícil de responder. Mais do que explicar a sua situação, o Dr. Ahmed Hankir, eleito o psiquiatra do ano em 2013 pelo Royal College of Psychiatry, tenta desmistificar o estigma social que existe em torno dos médicos e profissionais de saúde com problemas mentais, contando-nos a sua história. Em como esta doença lhe permitiu conhecer melhor os seus doentes e, ao mesmo tempo, ajudar outros profissionais de saúde que ainda hoje sentem medo de se assumirem doentes mentais.

NF | O que se pode avançar sobre a influência do Big Data no tratamento médico?
DL | Achamos que este pode vir a ser um dos "breakthroughs" da medicina contemporânea. A ideia que está a ser explorada é a de como se consegue aplicar grandes quantidades de estatísticas fisiológicas ("big data") para otimizar o tratamento de doenças crónicas com apresentações clínicas fora do comum e de difícil controlo. O Dr. Jack Kriendler, uma das poucas pessoas no mundo a aplicar esta teoria, tem obtido resultados bastante positivos e irá mostrar aos nossos participantes em como é que este novo paradigma de tratamento poderá alterar a face da medicina nos próximos anos.

NF | O que está a ser desenvolvido no âmbito do programa social?
DL | Num congresso cada vez mais internacional, achamos que o programa social tem cada vez maior importância, possibilitando que estudantes de várias nacionalidades se conheçam e partilhem experiências do seu país de origem. Para tal, este ano continuamos a apostar em três atividades principais: o nosso Jantar de Gala, onde os participantes poderão não só conviver entre si, mas também com todos os nossos oradores; a prova de vinhos, feita pela primeira vez na edição anterior e que, dado o sucesso tremendo, iremos renovar para este ano; e por fim uma tour por Lisboa, dedicada aos participantes de fora da cidade, para que possam passear e conhecer melhor a que já foi considerada uma das cidades mais belas da Europa.

Partilhar

Publicações