Na sua opinião, "a falta de informação e formação, as barreiras culturais e sociais, a 'inexistência' de guidelines para terapêutica combinada com fármacos, quando as modificações alimentares e de estilo de vida e a terapêutica comportamental não são suficientes para atingir ou manter objetivos, são apenas algumas das dificuldades sentidas pela maioria dos clínicos potencialmente implicados no diagnóstico e tratamento de doentes obesos".
Graça Vargas considera que a obesidade é uma doença complexa, que resulta, sobretudo, de comportamentos desajustados, incluindo a insuficiente atividade física e uma ingestão alimentar excessiva num ambiente favorecedor, em indivíduos geneticamente suscetíveis.
"A sua abordagem diagnóstica e terapêutica deverá ser abrangente, compreensiva e deverá considerar os recursos disponíveis", aconselha, acrescentando que devem ser tidos em consideração aspetos como "a consciência da doença e do doente, disponibilidade, paciência, humildade, bom senso e o conhecimento profundo das opções terapêuticas, numa atitude positiva e encorajadora".
A especialista finaliza indicando que o médico de família tem a possibilidade de identificar indivíduos obesos e em risco, podendo, conforme indica, "sensibilizar, motivar e educar com intensidade e sem punições, fazer ou referenciar para aconselhamento dietético, tratar fatores de risco associados, iniciar farmacoterapia quando indicado e referenciar, se não tem recursos para o fazer ou se não são atingidos objetivos".
"A obesidade é uma epidemia global, resultando em morbilidade major e morte precoce. As suas consequências são sobejamente conhecidas. No entanto, frequentemente, não é reconhecida como uma doença tratável", afirma Graça Vargas, endocrinologista e nutricionista.

