Lisboa vai receber o 11.º Congresso da SIBOMM

Redação News Farma
22/07/15
Lisboa vai receber o 11.º Congresso da SIBOMMLisboa foi o palco escolhido para a realização do 11.º Congresso da Sociedade Ibero-americana de Osteologia e Metabolismo Mineral (SIBOMM). A reunião magna da sociedade ibero-americana trará a Portugal especialistas do Equador, Peru, Brasil, Alemanha, Argentina, México, Panamá, Costa Rica, Espanha e Venezuela, para três dias de partilha de experiências e atualização de conhecimentos.


Em entrevista à News Farma, a Dr.ª Ana Paula Barbosa, endocrinologista do Hospital de Santa Maria, que preside ao evento, revelou detalhes de um programa onde a osteoporose, a mais prevalente das doenças do metabolismo ósseo, estará em destaque.

News Farma (NF) | Como surgiu a ideia de realizar o congresso da SIBOMM em Lisboa?
Dr.ª Ana Paula Barbosa (APB) | No biénio 2013-2015 coube a Portugal, pela primeira vez, a presidência da SIBOMM. Ora, de acordo com os estatutos da sociedade cabe ao país que preside organizar, no último ano de mandato, a reunião da Sociedade. No final do congresso de Lisboa terá lugar uma Assembleia Geral para decidir qual o próximo país a assumir esta responsabilidade.

NF | Quantos participantes são esperados?
APB | Cerca de 200... Em linha com a média dos anos anteriores.

NF | Será um congresso multidisciplinar...
APB | As doenças do metabolismo ósseo são transversais a muitas especialidades. A fratura pode ser tratada cirurgicamente pelo ortopedista ficando a recuperação a cargo do especialista em Medicina Física e de Reabilitação. Também temos a Ginecologia, que intervém na área da pós-menopausa, assim como a Endocrinologia uma vez que muitas doenças endócrinas causam perda de massa óssea. Já a Reumatologia é classicamente uma especialidade que trata o osso, as articulações, os músculos e doenças reumáticas como a artrite reumatoide. E é claro... Teremos também especialistas de Medicina Interna e de Medicina Geral e Familiar.

NF | Quais são as expectativas para o encontro?
APB | São boas, ainda que sintamos algumas dificuldades resultantes da falta de apoios por parte das companhias farmacêuticas. Vivemos um período de crise generalizada, agravada pelo fato de nesta área não termos tido nos últimos tempos novos fármacos no mercado, o que influencia negativamente o apoio da indústria.

NF | A SIBOMM vai reunir em Lisboa diversos especialistas nacionais e estrangeiros. Qual é a importância desta troca de experiências?
APB | A presença de colegas de vários países da América Latina e de Espanha permitirá conhecer melhor a prevalência das doenças do metabolismo ósseo, os métodos de diagnóstico e o tipo de tratamento que é adotado em cada país, que depende em grande medida dos sistemas de comparticipação de cada estado.

NF | De entre as doenças do metabolismo ósseo, qual a que estará em destaque no programa deste ano?
APB | A osteoporose, por ser a mais frequente em todo o mundo.

NF | Quais as novidades terapêuticas nesta área?
APB | Estão disponíveis medicamentos que atuam na inibição das células responsáveis pela reabsorção óssea, não de administração oral, mas também na forma injetável. Além desses inibidores da reabsorção, há um outro que atua ao nível do aumento da formação óssea, que é administrado diariamente por via subcutânea. Temos um terceiro, com um mecanismo duplo de ação que inibe a reabsorção e aumenta a formação óssea em simultâneo, também na forma oral e de administração diária. Entretanto, neste último ano, surgiram novas formulações de fármacos já existentes, nomeadamente sob a forma de comprimidos efervescentes e de solução oral (xarope).

NF | Durante o congresso serão apresentadas as guidelines mexicanas de diagnóstico e tratamento da osteoporose pós-menopausa. Seriam aplicáveis em Portugal?
APB | A maioria dos países apresenta especificidades na abordagem e tratamento da doença. Neste congresso, em que participam sociedades de vários países é dado espaço a simpósios organizados pelas várias sociedades, tendo a mexicana decidido abordar o tema do diagnóstico e tratamento da osteoporose pós-menopausa. Trata-se de um tema muito importante porque é após a menopausa que a mulher vai ter uma perda abrupta da massa óssea, sendo também a altura em que começam a ocorrer fraturas de fragilidade óssea.

NF | Qual o papel do médico de família na abordagem da doença?
APB | O médico de família acaba por ter contacto com todas as patologias. Além disso, conhece melhor do que ninguém o doente no seu todo, pelo que tem uma grande responsabilidade no diagnóstico e tratamento desta patologia. Todavia, na Consulta de Osteoporose Fraturária do Hospital de Santa Maria, recebemos novos doentes todas as semanas, em que alguns já fraturaram pela primeira vez há mais de 10 anos, continuam a fraturar e nunca foram medicados. Ou seja, a osteoporose ainda continua a ser esquecida, pelo que temos de continuar o trabalho de divulgação.

NF | Os médicos de família ainda não estão suficientemente sensibilizados para a necessidade de referenciação?
APB | Começam a estar mais atentos mas, ainda assim, é insuficiente. Por exemplo, hoje em dia, há cada vez mais fármacos que causam perda de massa óssea (classicamente eram apenas os corticoides). Nesta vertente, o médico de família tem um papel muito importante, pois deve ter conhecimento de todos os medicamentos prescritos.

NF | Que tipo de ações têm desenvolvido para sensibilizar os colegas de Medicina Geral e Familiar?
APB | Temos apostado em ações de formação. Por exemplo, a Faculdade de Medicina de Lisboa, através do Prof. Doutor Mário Mascarenhas, tem efetuado Cursos Pós-Graduados em Osteoporose e a Sociedade Portuguesa de Osteoporose está atualmente a desenvolver um projeto de formação e atualização de conhecimentos nesta área, que deverá arrancar no próximo ano.

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