Segundo conta o Dr. Francisco Carrilho, diretor do Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e presidente da SPEDM, este evento tem registado, progressivamente, um elevado número de inscrições e presenças, graças ao envolvimento de todos os profissionais de saúde que se dedicam às doenças endócrinas e metabólicas.
News Farma (NF) - Quantos participantes são esperados nesta edição?
Dr. Francisco Carrilho (FC) – Este evento, organizado pelo Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SEDM) do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), tem registado um grande número de inscrições e presenças. Nos anos anteriores temos tido cerca de 800 inscrições.
NF - Quais são as principais linhas orientadoras do programa das 19.as Jornadas de Endocrinologia e Diabetes de Coimbra?
FC - As Jornadas têm sido organizadas com intenção de serem úteis, principalmente, a especialistas de Medicina Geral e Familiar, de Medicina Interna e de Endocrinologia. Como linhas orientadoras é habitual dar mais tempo à apresentação de temas relacionados com patologias que são muito prevalentes na população portuguesa, como é o caso das doenças da tiroide e a diabetes tipo 2. Assim, temos a sessão “Tiroide na prática clínica”, no dia 6 de novembro das 9.00 às 10.30, e a uma outra sobre “Diabetes tipo 2 na prática clínica”, no dia 7, que decorre das 9.00 às 11.00 horas. Fazem também parte do programa importantes conferências sobre contraceção hormonal feminina, sobre a obesidade e uma conferência de abertura que tem por tema “Utopias Alimentares”, cuja preleção ficará a cargo do Dr. Lima Reis.
NF - Há algum outro tema menos habitual que tenha feito parte do programa científico?
FC - A acromegalia, a hipocalcemia, a ginecomastia e a doença de Addison serão também discutidas no contexto de como diagnosticar, como tratar e quando referenciar. Em paralelo às Jornadas, iremos também realizar o XIII Simpósio de Endocrinologia e Diabetes na Gravidez. Este simpósio dá continuidade a uma área de trabalho e de investigação com grande tradição no SPEDM (Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo), que resulta de um trabalho conjunto de endocrinologistas e obstetras.
NF - Este programa científica também reflete os últimos avanços terapêuticos?
FC - O objetivo é divulgar o estado da arte em todas as apresentações, independentemente de terem tido ou não atualizações recentes. Contudo, na diabetes tipo 2 temos registado novas e importantes perspetivas terapêuticas, que já estão disponíveis em Portugal. Na sessão Diabetes Tipo 2 na Prática Clínica serão discutidos os novos fármacos com as suas indicações, contra indicações e possibilidade de associação.
NF - Este evento aposta também numa vertente mais prática?
FC - A realização de cursos práticos para um número mais restrito de participantes é um formato que tem sido repetido em anos anteriores. Este ano vamos organizar dois cursos práticos: Curso Prático de Insulinoterapia na DMT2 e Curso Prático de Insulinoterapia na Diabetes Tipo 1.
NF – A que se deve a escolha deste tema?
FC - A insulinoterapia continua a ser muito importante no tratamento da diabetes. Infelizmente, continuam a existir receios infundados na utilização da insulina no tratamento da diabetes tipo 2. Portugal é um dos países europeus com menor taxa de insulinização das pessoas com diabetes. É importante esclarecer os medos junto dos doentes e melhorar os conhecimentos dos médicos, com o objetivo de aumentar a insulinização dos doentes.
NF – Há também um Curso de Diabetes para enfermeiros? É importante dirigir mais formação também a este público?
FC - O tratamento da diabetes deve envolver vários profissionais com diferente formação. Só assim podemos tratar bem um tão grande número de doentes. A participação ativa de enfermeiros com formação em diabetes é indispensável e implica que sejam realizados cursos com este objetivo. No Serviço de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo dos CHUC, damos grande importância à participação dos enfermeiros na Consulta Externa de Diabetes e no Internamento. Temos também uma Consulta Externa de Enfermagem em diabetes. No programa das Jornadas deste ano dedicamos o dia 5 à realização do Curso de Diabetes para Enfermeiros, que terá como temas principais a educação terapêutica, a importância do exercício físico e nutrição em diabetes.
NF – Qual a importância de mostrar as diferentes perspetivas dos diversos profissionais da saúde envolvidos no tratamento da diabetes?
FC - O tratamento da diabetes tem de envolver uma equipa com diferentes profissionais: médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas ou dietistas, podologistas e profissionais de motricidade humana. A diabetes é uma doença crónica e muito prevalente pelo que centrar tudo no médico não é adequado e impossibilita o tratamento dos doentes. Devemos organizar equipas multidisciplinares capazes de irem resolvendo os problemas do doente de forma correta e no tempo adequado.
NF – Há algum aspeto que mereça mais atenção e que pretenda salientar em relação às 19.ªs Jornadas de Endocrinologia e Diabetes de Coimbra?
FC - O programa foi elaborado com o objetivo de incluir sessões sobre o diagnóstico e tratamento das doenças endócrinas e metabólicas. Estas doenças são muito frequentes na população e regra geral é uma proporção difícil de tratar. O nosso objetivo é apresentar, divulgar e discutir com outros colegas, com diferente formação, o melhor tratamento dos doentes com patologia endócrina e metabólica. É nossa convicção que as 19.ªs Jornadas de Endocrinologia e Diabetes de Coimbra terão o mesmo sucesso das edições anteriores.
Tratamento dos doentes com patologia endócrina e metabólica
Dr. Francisco Carrilho
06/11/15
Com uma participação estimada de 800 especialistas, as 19.ªs Jornadas de Endocrinologia e Diabetes de Coimbra seguem a mesma fórmula de sucesso das edições anteriores.


