As consequências devastadoras provocadas pelas LVM estão essencialmente relacionadas com os processos inflamatórios e a formação de uma cicatriz glial, processos esses que são inibitórios para o restabelecimento das ligações nervosas que são perdidas durante a lesão. Em anos recentes têm vindo a ser desenvolvidas no laboratório uma série de estratégias que tem como objectivo induzir a regeneração da medula espinal, e com isso reverter as condições associadas à LVM, nomeadamente:
1) Terapias Moleculares
Uma das estratégias exploradas tem sido a utilização de terapias moleculares, quer através de fármacos ou quer através de outros agentes terapêuticos. A premissa para a sua utilização tem sido baseada no possível efeito benéfico que poderão ter ao controlar diversos mecanismos celulares prejudicais que ocorrem durante as primeiras horas/dias após a lesão.
2) Terapias Celulares
Outras das áreas na qual existem vários de trabalho de investigação, é da terapias celulares. O objectivo desta área é transplantar células que possam por um lado tornar o ambiente tecidular das LVMs mais pró-regenerativo, e por outro substituir as células que morreram durante a lesão.
3) Engenharia de Tecidos
A engenharia de tecidos representa uma estratégia multidisciplinar que combina células (como as que foram descritas anteriormente), moléculas bioativas e biomateriais degradáveis, que servem de suporte temporário às populações celulares escolhidas. O objectivo é formar um híbrido constituído por células/biomaterial, que quando transplantado induza a regeneração funcional da medula espinal.
4) Sistemas de Libertação controlado de fármacos
Os sistemas de libertação controlada de fármacos também são baseados no uso de biomateriais, normalmente na forma de micro ou nanopartículas. O objectivo da sua utilização está centrado no encapsulamento (“mistura”) de um fármaco na sua estrutura, para que este possa ter uma acção mais eficaz e direcionada uma vez chegado à espinal medula
5) “Neuroprosthetics”
As “Neuro-próteses”, são baseadas no conceito de interface cérebro-máquina. Neste caso não se pretende regenerar a espinal medula, mas sim substituir as zonas afectadas por eléctrodos que comunicam directamente com um implante colocado nas zonas de cérebro que controlam a componente motora do nosso movimento. Seguindo esta estratégia um paciente com LVM poderá recuperar o movimento ao controlar por exemplo um exo-esqueleto externo, ou então um braço robotizado.
Estes, e outros temas vão estar em debate no Simpósio Ibérico em Lesões Vertebro-Medulares, uma iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Associação Salvador e o Laboratório Associado ICVS/3B’S da Universidade do Minho, que decorre de 30 de novembro a 1 de dezembro, no Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão
Artigo de Opinião
Prof. Doutor António Salgado
Prof. Doutor Nuno Silva
1 Instituto para as Ciências da Vida e da Saúde (ICVS), Escola de Ciências da Saúde, Universidade do Minho, Braga, Portugal;
2 Laboratório Associado ICVS/3B’s, Braga/Guimarães, Portugal


