De certa forma, nos dias de hoje, a causa desta doença não está completamente esclarecida, sendo classificada como uma patologia associada a diferentes doenças auto-imunes, como é o caso da contratura de Dupuytren (doença das mãos que atingem 15,4 a 25% dos pacientes), microtraumatismos e heranças genéticas, que afetam o tecido conjuntivo da região peniana.
Estas características levam à formação de placas fibrosas da túnica albugínea, que impede a expansão do pénis durante a ereção, tendo como resultado uma curvatura ao nível do pénis e ainda o seu estreitamento, encurtando-o com perda de perímetro. Muitas vezes, associado a dor, dificuldade na penetração e disfunção eréctil. As placas encontram-se normalmente na face dorsal ou lateral do pénis, causando uma curvatura ascendente ou lateral durante a ereção.
Segundo alguns estudos baseados na evidência científica, esta doença é relativamente comum nos homens de raça caucasiana, com idades compreendidas entre os 45 e os 60 anos, com uma taxa de incidência de 3-9%. Outros estudos enfatizam o seu aparecimento em jovens com idades inferiores a 15 anos de idade. Embora a sua baixa prevalência, estaticamente segundo as autópsias realizadas, esta doença está presente em mais de 20% dos homens, pois em 4% é uma afeção assintomática. A vergonha, o medo, a educação, a cultura e a falta de informação são as principais causas da baixa procura por consultas médicas.
A doença de Peyronie apresenta um grande impacto quer ao nível físico, psicológico e emocional do homem, diminuindo significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
No momento em que os profissionais de saúde se deparam com um caso de suspeita da doença de Peyronie, é necessária uma avaliação minuciosa do paciente, de forma a diagnosticar de forma assertiva a patologia. Para isso, é de extrema importância a realização de um diagnóstico diferencial de forma a planear o tratamento mais adequado ao paciente.
É importante fazer uma observação do pénis ao nível da face ventral, dorsal, longitudinal e transversal; medir a curvatura peniana, durante a fase de ereção, avaliar o seu estado de gravidade de deformação (leve <30º, moderada 31º-60º, severa >60º) e a dor sentida.
Uma história sexual detalhada, incluindo a rigidez e a função erétil, bem como outras situações associadas, como o consumo do tabaco, doença vascular, diabetes, doença cardíaca e história familiar de lesões penianas ou deformidades são igualmente importantes.
Assim, o diagnóstico clínico baseia-se fundamentalmente na história clínica e no exame objetivo do paciente. Para melhor caracterização e meticulosa avaliação, podem pedir-se os seguintes exames complementares: ecografia, fotometria, exame radiológico simples, tomografia axial computorizada (TAC), ressonância magnética e peniografia, além de outros.
Nesta patologia, o tratamento incide não só ao nível estético, através da correção da deformidade, mas também no alívio da dor sentida, sempre que o paciente atinge a ereção. Para este efeito, são utilizadas diversas técnicas de tratamento, de acordo com o tempo de evolução da doença e, sobretudo, o grau de curvatura.
Os tratamentos desta patologia passam pela tomada de diferentes fármacos, pela realização de cirurgia peniana e pela fisioterapia.
Existem diversos tratamentos cirúrgicos para esta patologia, sendo que a tomada de decisão está dependente das características de cada um dos pacientes, mas também da técnica utilizada pelos diferentes cirurgiões.
Tratamento cirúrgico
A técnica clássica e antiga provocava um encurtamento deste importante órgão, pois encurtava-o na zona oposta à curvatura, para que ficasse direito. A técnica inovadora que utilizamos com sucesso, além de corrigir o defeito, aumenta tridimensionalmente o pénis, quer em espessura quer em comprimento.
Sumariamente, consiste em desagregar ou dissolver a placa fibrosa e dura com agente químico e, de seguida, preencher aquele espaço e corrigir o defeito da curvatura com tecido adiposo do próprio, adequadamente colhido e centrifugado, associado ao plasma do paciente.
O nível de satisfação com resultados objetivos é muito elevado, nomeadamente nos casos leves e moderados, tendo resultados considerados aceitáveis funcional e morfologicamente nas situações consideradas severas.
A reabilitação peniana pós-cirúrgica passa por aplicar diferentes técnicas físicas, tais como massagem, drenagem linfática manual, em caso de edema, ultrassom e terapias de estiramento, pois, desta forma, irá existir uma minimização da retração peniana e uma melhor evolução e consequente cicatrização. O aconselhamento dietético e higiénico são temáticas igualmente importantes durante a realização do tratamento.
O uso de uma terapia de tração é essencial após um procedimento de excerto peniano, de forma a manter o comprimento. Esta técnica deverá ser iniciada três a quatro semanas depois da cirurgia, dependendo da evolução do paciente.
Artigo escrito por
Dr. Z. Biscaia Fraga, médico cirurgião plástico
Dr.ª Joana da Ponte, fisioterapeuta urogenital


