A reabilitação respiratória

Prof.ª Doutora Fátima Rodrigues Pneumologista, Centro Hospitalar Lisboa Norte - Hospital Pulido Valente Faculdade de Medicina de Lisboa
23/08/16
A reabilitação respiratória

Um dos comportamentos que mais prejudica a saúde das populações nas sociedades modernas, para além do tabagismo e dos distúrbios alimentares, é o sedentarismo.

Considerada a “nova epidemia tabágica” pela Organização Mundial de Saúde, a inatividade física está na origem de muitas doenças como a diabetes, a obesidade, a doença coronária, o acidente vascular cerebral, a ansiedade, a depressão e até certos tipos de cancro, como o da mama e o da próstata.

Inverter este comportamento, realizando atividade física regular (exemplo: caminhadas de 30-45 minutos cinco vezes por semana ou integrar atividade desportiva de acordo com os gostos e as características individuais e limitações conhecidas) pode beneficiar significativamente a saúde das populações.

As doenças respiratórias crónicas de que é exemplo a doença pulmonar obstrutiva crónica (ou DPOC), afetam a qualidade de vida e impõem grande sofrimento aos doentes, sendo causa de incapacidade e de perda da autonomia nas atividades do dia-a-dia.

Se a sociedade moderna já favorece os comportamentos sedentários, no caso dos doentes respiratórios, a inatividade física resulta também do facto dos doentes evitarem esforços que provoquem ou aumentem a dificuldade respiratória.

Sabendo que a atividade física regular é um dos fatores que melhor contribui para a qualidade de vida e para aumentar a esperança de vida de todos, quer sejam saudáveis ou doentes, como então se pode ajudar um doente respiratório a melhorar a qualidade da sua saúde?

A reabilitação respiratória (RR) é uma intervenção dirigida aos doentes respiratórios crónicos com o objetivo de melhorar o seu estado de saúde, reduzindo os sintomas e recuperando a sua capacidade de participar nas atividades diárias, permitindo em muitos casos a sua reintegração social e/ou profissional. Os doentes podem ser integrados em programas de RR no hospital (exemplo, em doentes mais graves e debilitados a seguir a um internamento ou a uma cirurgia ao pulmão), em centros de reabilitação na comunidade (doentes menos graves) ou mesmo no domicílio.

Estão envolvidos nos programas de RR, médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, fisiologistas do exercício, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, entre outros. De acordo com as necessidades ou limitações específicas de cada doente, são incluídas nos programas de RR, as intervenções específicas de cada um destes profissionais.

Os programas de RR incluem as técnicas que facilitam a respiração e a limpeza do muco dos brônquios, assim como o treino de exercício adequado a cada caso para promover o aumento da capacidade para a realização das atividades físicas quotidianas. A integração destes comportamentos nas atividades desportivas, de lazer ou em atividades simples como subir as escadas em vez de ir de elevador, passear o cão, evitar estar sentado horas seguidas, contribuem no seu conjunto para consolidar os efeitos benéficos dos programas de RR e prolongar esses efeitos ao longo da vida.

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