Pouco mais de um ano e meio passou desde que está a decorrer o programa de tratamento da hepatite C, que disponibiliza no Sistema Nacional de Saúde (SNS) os medicamentos mais inovadores do mercado para o tratamento desta doença. Até fevereiro de 2017, altura em que termina o programa, espera-se que estejam curados cerca de metade dos doentes referenciados pelo SNS. Ricardo Fernandes, faz um balanço positivo do tratamento, mas alerta que "não chega". "Os dados que estão disponíveis demonstram que se têm tratado mais pessoas do que as que inicialmente julgávamos ser possível, o que é muito bom. O tratamento demorava vários meses e não tinha os resultados do atual; agora estamos a falar de uma cura com um tratamento de cerca de três meses. Portanto, o balanço é positivo, mas não chega", afirma o responsável.
Além das pessoas que estão incluídas no SNS e que ainda não foram tratadas, Ricardo Fernandes refere a existência de milhares de doentes que não fazem parte do SNS e que, por isso, não são contabilizadas nem tratadas. "Há pessoas que já sabem que têm hepatite C mas que, por alguma razão, não são seguidas no SNS. É preciso aumentar as campanhas de diagnóstico e é preciso haver um programa nacional para diagnosticar e tratar também estas pessoas", defende, sugerindo a criação de "um programa estruturado", que, além de tratar os doentes do SNS, identifique os que ainda não estão no sistema – como os imigrantes ilegais – e que, além do tratamento, contemple a prevenção e diagnóstico, "porque é preciso continuar a prevenir". "Este é o esforço que tem de ser feito se quisermos parar o ciclo da transmissão da doença"´, afirma.
Por outro lado, sugere também uma maior articulação entre o SNS e as organizações não-governamentais (ONG), que, "por estarem no terreno, conhecem melhor a realidade destes doentes" e "chegam àquelas populações a que o SNS não consegue chegar". "A única articulação que vai existindo, e de uma forma muito complicada e insipiente, é o encaminhamento dos casos que nós identificamos para o SNS. E mesmo assim, muitas vezes, é complicado pôr os doentes em tratamentos, porque as consultas estão cheias e têm dificuldade em aceitar novos doentes. No entanto, não há uma consulta estruturada às ONG que trabalham na área para definir um plano, um programa para os próximos anos para resolver a questão da hepatite C em Portugal", critica o diretor técnico da Positivo.


