Segundo os resultados do Inquérito Nacional de Saúde do Instituto Nacional de Estatística (INE), 52,8% da população portuguesa com idade superior a 18 anos têm excesso de peso e nas crianças com idade entre os dois e os 12 anos, 33,3% também, das quais 16,8% são obesas. O excesso de peso, tal como a hipertensão e o aumento de glicemia representam fatores de risco para diversas patologias, como é o caso da diabetes tipo 2.
É então imprescindível que a orientação aos nossos pacientes seja de moderação acima de tudo. Não será benéfico impedir o consumo de algumas das iguarias do Natal, mas sim reduzir a quantidade de macronutrientes ingeridos, essencialmente a quantidade de hidratos de carbono e de lípidos, diminuindo o valor calórico da refeição. Outra das recomendações essenciais será no sentido de aumentar o valor nutricional das refeições, procurando assegurar o consumo de vegetais, hortícolas e fruta, não esquecendo o papel que os frutos secos podem ter no intervalo das refeições, nunca ultrapassando em quantidade o tamanho da nossa palma da mão.
Na verdade, as principais refeições natalícias, isto é, o jantar da véspera de Natal e o almoço do próprio dia de Natal, podem não constituir uma ameaça para a saúde das pessoas. Reduzindo a quantidade de gordura e açúcar adicionados e substituindo o sal por ervas aromáticas, teremos apenas pequenas alterações às receitas originais. O consumo de verduras no prato principal irá aumentar a composição em fibra, prolongando a saciedade e ajudando no processo digestivo.
Será também necessário falarmos das bebidas escolhidas para acompanhar a refeição. Devemos transmitir que o consumo moderado de bebidas alcoólicas e o consumo de água durante o dia serão elementos essenciais nesta época, podendo ser consumidos chás e infusões quentes para fazer face ao frio.
O ponto com maior probabilidade de erros alimentares é a sobremesa. Sabemos que a mesa do Natal tem (durante todo o dia) várias ofertas com excesso de açúcar e de gordura, contudo a alteração destas receitas é igualmente uma possibilidade. Podemos aconselhar a diminuição da quantidade de açúcar refinado e gordura saturada utilizados, substituir os laticínios gordos por magros ou equivalentes, evitar as frutas cristalizadas e dar primazia à fruta no final da refeição.
Se os seus pacientes tiverem essa possibilidade, não se esqueça de os aconselhar a sair de casa e dar um passeio com a família.
Estes são alguns dos conselhos alimentares que podem fazer toda a diferença nesta época tão especial.


