O papel da Medicina Geral e Familiar na abordagem à infeção por VIH/SIDA

Dr. Fausto Roxo, Hospital de Dia de Doenças Infeciosas do Hospital de Santarém; Direção do Núcleo de Estudos VIH da SPMI
30/12/16
O papel da Medicina Geral e Familiar na abordagem à infeção por VIH/SIDA

O papel de todos e cada um dos profissionais envolvidos, incluindo a Medicina Geral e Familiar, na abordagem do doente com infeção por VIH tenderá a ser de importância crescente. A disponibilização da terapêutica nas farmácias da comunidade e a possibilidade de consultas fora do ambiente hospitalar, a juntar ao recurso mantido por parte do doente a outras estruturas, são algumas das situações que, previsivelmente já em 2017, tornarão ainda mais importante o papel do Médico de Família, afirma o Dr. Fausto Roxo.

“É um desafio para todos alargar os contactos entre as Consultas de Imunodeficiência e os Médicos de Família, quer através de reuniões formais e ações de formação, quer aumentando os contactos informais no dia-a-dia”, diz o Dr. Fausto Roxo, responsável pelo Hospital de Dia de Doenças Infeciosas do Hospital de Santarém e membro da Direção do Núcleo de Estudos VIH da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).

Os avanços na abordagem, necessariamente multidisciplinar, destes doentes têm-se verificado de forma mais visível nas alternativas terapêuticas, de maior eficácia, com menos efeitos secundários e de toma mais fácil devido a coformulações. Mas não são menos significativos os avanços na estratégia de seguimento do doente de forma cada vez mais abrangente, levando a que se possa afirmar que a esperança de vida destas pessoas é semelhante à da generalidade da população, explica.

Principais desafios

Quanto aos principais desafios enfrentados no âmbito da lua contra o VIH/SIDA, o Dr. Fausto Roxo destaca que, neste momento, passam por conseguir a total adesão às consultas e terapêuticas da generalidade dos doentes. “Evitar abandonos de consultas e medicações numa patologia em que o seguimento se faz ao longo de muitos anos é fundamental para o doente e para a comunidade, numa perspetiva de redução da transmissibilidade do vírus”, sublinha.

Entretanto, questionado sobre o que está subjacente ao aumento de doentes em terapêutica, o Dr. Fausto Roxo explica: “deve-se ao cumprimento por parte dos médicos das inequívocas conclusões do estudo START, que demonstrou os benefícios do início precoce da terapêutica antirretrovírica, independentemente do status imunitário do doente”.

Já em relação às estratégias de prevenção, o Dr. Fausto Roxo destacou que se exige criatividade para chegar a um número crescente de pessoas de todos os escalões etários e níveis socioeconómicos e profissionais. “Destaco, no entanto, a necessidade de chegar de uma forma muito direta aos homossexuais jovens, um dos grupos que mais tem crescido em número de novos casos nos anos recentes. A abordagem direta e de forma descomplexada em saunas, discotecas e bares, poderá reduzir esta forma de transmissão”, acrescenta.

Novo perfil de doente

No que se refere ao perfil do doente, o Dr. Fausto Roxo garante que, na realidade, mudou. “Existe claramente um novo perfil de doente, mais envelhecido e com múltiplas comorbilidades”, frisa.

As estruturas deverão, por isto, funcionar cada vez mais numa perspetiva multidisciplinar, com possibilidade de recurso fácil a várias especialidades, profissionais de saúde e estruturas da sociedade civil. O papel coordenador e aglutinador do Internista terá crescente importância, conclui.

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