USF Valongo - Uma equipa centrada na saúde da pessoa

Redação News Farma
22/02/13

Dr.ª Margarida Abreu AguiarEsta época do ano, propícia a erros alimentares e à diminuição de atividade física, contribui para aumentar o risco cardiovascular. Mais de 30% da mortalidade em Portugal deve-se às Doenças Cardiovasculares (DCV), como AVC e enfarte do miocárdio.


O que pode influenciar a ocorrência destas doenças?

A ocorrência da maioria destas doenças está relacionada com os estilos de vida, fatores fisiológicos e bioquímicos – em suma, os Fatores de Risco Cardiovasculares –, muitos dos quais modificáveis.

Os Fatores de Risco Cardiovascular (FRCV) facilitam e tornam mais rápido o desenvolvimento de aterosclerose, que precede por muitos anos o aparecimento de DCV evidente. Estes FRCV contribuem para o cálculo do Risco Cardiovascular Global do indivíduo. Se conseguirmos detetar e modificar precocemente estes fatores iremos reduzir substancialmente as hipóteses de desenvolvimento da doença.

Quais os FRCV de maior prevalência?

O principal, e mais prevalente, é a Hipertensão Arterial, seguido da Dislipidemias ("colesterol elevado"), o Tabaco, a Obesidade, a Diabetes, o Stress, o Sedentarismo, Idade e Sexo (mais prevalente no sexo masculino) e Hereditariedade.

Dados recentes concluem que cerca de 50% da população adulta tem obesidade ou excesso de peso. As doenças cardiovasculares são uma área prioritária de intervenção na prevenção primária (antes da ocorrência de doença).

O que fazer para reduzir o Risco Cardiovascular Global?

Não fumar, fazer escolhas alimentares saudáveis, praticar atividade física regular, manter ou adquirir peso adequado, ter a tensão arterial controlada < 140/90 mmHg, ter o Colesterol Total < 190 mg/dL e Colesterol LDL < 115 mg/dL, ter Glicemia < 110 mg/dL.

Os FRCV, frequentemente, são vários por indivíduo e, por vezes, interagem de forma exponencial.

De que forma o peso corporal influencia os níveis de LDL e HDL? O que fazer para conseguir minimizar este FRCV?

Relativamente ao Peso corporal, sabemos que uma redução de 5 a 10% do peso inicial pode conduzir a diminuições de 15% para o colesterol LDL "mau colesterol", 20 a 30% dos triglicerídeos e a um acréscimo de 8 a 10% do colesterol HDL "bom colesterol".

A adoção da Dieta Mediterrânica, rica em gordura monoinsaturada e hidratos de carbono provenientes dos frutos, legumes, cereais completos e porções moderadas de laticínios, é benéfica na redução da dislipidemia aterogénica (níveis elevados de triglicéridos e de colesterol LDL e baixos de HDL).

E o exercício físico ajuda?

Trinta minutos por dia de caminhada vigorosa podem contribuir para a redução da pressão arterial, do colesterol e do peso. Veja a alimentação saudável e a atividade física como um investimento, a médio prazo, em si e na sua família. Tente juntar prazer à mesa com equilíbrio nutricional. Exigirá tempo, paciência e aprendizagem, como tudo o que realmente vale a pena na vida.

Aconselhe-se com o seu médico de família e procure ser um elemento interveniente na sua saúde. Toda a pessoa tem o direito à saúde e tem igualmente o dever de a promover e a defender.

Dr.ª Margarida Abreu Aguiar
Coordenadora da Unidade de Saúde Familiar de Valongo

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