Uma questão de Saúde Pública

Dr. Diogo Gouveia, presidente da Associação de Distribuidores Farmacêuticos - ADIFA
11/07/17
Uma questão de Saúde Pública

Em Portugal, o direito à proteção da saúde é assegurado através de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal, geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito. Com a instituição e evolução do SNS, temos vindo a reconhecer como garantido o acesso aos cuidados de saúde, meios complementares de diagnóstico e terapêutica e, inevitavelmente, ao medicamento, através do setor público, privado e social.

Mas, tendo em vista a valorização destes pressupostos, que hoje em dia reconhecemos como certos, importa, por vezes, realizar um exercício de contraditório, colocando algumas questões.

E se...
Um cidadão tiver um determinado problema de saúde e o Farmacêutico não conseguir dispensar o medicamento adequado em tempo útil?

A farmácia tiver falhas de abastecimento contínuas, não podendo disponibilizar os medicamentos mais indicados, resultando em graves complicações de saúde nas pessoas com doença?

A recolha de medicamentos (por questões de segurança, prazos de validade, entre outras) não se realizar de forma eficiente e confiável?

O circuito legal do medicamento for comprometido, devido à introdução de medicamentos falsificados?

Na realidade, as questões elencadas, cujo impacto na Saúde Pública seria imensurável e insustentável, são apenas hipóteses remotas, devido à intervenção de diversos stakeholders no circuito do medicamento, entre os quais os distribuidores por grosso de medicamentos, que garantem níveis de acessibilidade, eficiência, qualidade e segurança exímios e amplamente reconhecidos pelos cidadãos.

Com efeito, a distribuição farmacêutica full liner integra um setor moderno, sustentado num constante investimento em capital humano e financeiro dos seus diferentes intervenientes, que, aliado a uma progressiva evolução tecnológica dos seus processos, demonstra elevados níveis de eficiência e qualidade de serviço, essenciais para garantir uma distribuição diária e contínua em todo o território nacional, assegurando, assim, que as falhas no circuito da distribuição sejam apenas e só um mero exercício de contraditório.

Neste âmbito, e reconhecendo os relevantes e constantes desafios do setor da distribuição grossista full liner, a nível nacional e internacional, e conscientes da importância estratégica da existência de uma Associação robusta e dedicada exclusivamente ao setor da distribuição farmacêutica, surgiu a Associação de Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA). A sua missão centra-se na defesa dos interesses comuns dos seus Associados – a nível político, empresarial e económico -, na colaboração e desenvolvimento de parcerias com as autoridades e diversos stakeholders da saúde, tendo em vista o valor acrescentado para o sistema de Saúde, e na promoção da saúde pública.

A ADIFA, através da atividade dos seus associados, disponibiliza um serviço de distribuição de medicamentos rápido, eficiente e meritório da confiança de todos os stakeholders e cidadãos, sendo, sempre que necessário, adaptado às necessidades de conservação específicas (como por exemplo, na cadeia de frio). Reconhece-se, ainda, como princípio basilar a implementação e desenvolvimento das Boas Práticas de Distribuição, principal documento legislativo do setor da distribuição grossista, que assevera um maior rigor operacional no setor.

Por fim, em matéria de Saúde Pública, reforça-se que os membros fundadores da ADIFA manifestaram, ao longo dos anos, a sua disponibilidade para integrar progressivamente os diversos programas de promoção da saúde pública de iniciativa pública e privada, tais como o programa de troca de seringas (cujo contributo é reconhecido e valorizado desde 2017), a Via Verde do Medicamento, o projeto de dispensa de medicamentos para o VIH/SIDA nas farmácias comunitárias, o projeto VALORMED (que tem a responsabilidade de gestão dos resíduos de embalagens vazias e medicamentos fora de uso, tendo em vista a sua valorização energética e respetiva diminuição da pegada ecológica), entre outros, tendo em vista o aporte de valor ao sistema de Saúde português.

O compromisso da ADIFA é, portanto, contribuir para a saúde da população através do circuito da distribuição de medicamentos, garantindo:
• Abastecimento contínuo do mercado nacional;
• Disponibilização dos medicamentos certos, nos locais certos, ao tempo certo;
• Desenvolvimento da cadeia de distribuição (elo de ligação entre a Indústria Farmacêutica, as Farmácias e os Cidadãos);
• Elevados padrões de segurança, eficiência e qualidade da cadeia logística e, consequentemente, dos medicamentos e produtos de saúde;
• Fornecimento de serviços de valor acrescentado para o sistema de Saúde;
• Promoção da Saúde Pública.

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