Um grupo de investigadores de duas instituições canadianas desenvolveu um estudo sobre um tipo particular de células do sistema imunitário, designadas células “natural killer” (NK), que possuem uma apetência natural para localizar e eliminar células infetadas ou disfuncionais, nomeadamente células cancerígenas. Esta capacidade intrínseca das células NK tem sido explorada em alguns estudos para o tratamento de diferentes tipos de cancro, com resultados promissores.
Os investigadores conseguiram produzir células NK a partir de sangue do cordão umbilical em quantidade suficiente para aplicação clínica e, posteriormente, testaram a sua atividade antitumoral. Para isso, colocaram as células NK produzidas em contacto com células de dois tipos de cancro da mama, que isolaram a partir de biópsias. Observou-se que as células NK libertaram elevados níveis de fatores antitumorais e foram capazes de destruir as células cancerígenas in vitro, o que poderá representar um resultado promissor no tratamento deste tipo de cancro.
Os autores do estudo testaram também as diferenças entre as células NK obtidas a partir de sangue do cordão umbilical fresco e criopreservado por curtos e longos períodos de tempo. Não foram observadas diferenças no potencial proliferativo e antitumoral das células NK obtidas a partir de sangue do cordão umbilical nestas três condições. Estes resultados sugerem que o tempo de criopreservação não terá impacto no resultado final da imunoterapia com células NK, sendo expectável que, mesmo amostras criopreservadas por longos períodos de tempo, possam ser utilizadas para esse efeito.
Os autores concluíram ainda que o sangue do cordão umbilical criopreservado é uma eficiente fonte de células NK para o desenvolvimento de imunoterapia para o tratamento de cancro da mama, o que poderá vir a representar uma importante estratégia terapêutica para aquele que é o cancro mais prevalente nas mulheres em todo o mundo.


