News Farma (NF) | A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC) tem por finalidade o estudo, investigação e promoção de outras atividades científicas no âmbito dos aspetos médicos, cirúrgicos, tecnológicos e organizacionais da Intervenção Cardiovascular. Fazendo um balanço do ano que passou, como avalia a concretização destes objetivos, tendo em conta as iniciativas promovidas pela APIC?
Dr. João Brum da Silveira (JBS) | O nosso balanço é muito positivo. A APIC tem sido e continuará a ser um parceiro privilegiado na promoção da Cardiologia de Intervenção, em Portugal e no estrangeiro. A nossa presença em eventos internacionais (como EuroPCR 2017 - National Scientific Societies and Working Groups Programme - Challenging strategies session - Italy / Portugal; Congresso Anual da SBHCI; 2.º CTO Summit; Gise 2017; 2017 TCT International Society Session ) são o exemplo do nosso posicionamento institucional, que reforça o reconhecimento da excelência dos nossos profissionais.
O nosso papel tem sido também central na investigação e formação dos jovens cardiologistas, com o desenvolvimento, o ano passado, de quatro iniciativas D@CL, do Curso de Hemodinâmica e Cardiologia de Intervenção Avançado e da publicação quinzenal de um artigo comentado por jovens cardiologistas de intervenção.
Durante o mandato da atual direção, a APIC vai promover também uma aproximação à comunidade, numa perspetiva de consciencialização para a prevenção e diagnóstico precoce das doenças cardíacas, mas também por forma a assegurar que os doentes estão a beneficiar de todas as formas de tratamento modernas e inovadoras disponíveis no Serviço Nacional de Saúde (SNS) português, independentemente da sua condição social ou do local onde habitem.
NF | Como avalia o estado da Cardiologia de Intervenção em Portugal, quer no âmbito do diagnóstico, quer no âmbito da intervenção/terapêutica? Podemos dizer que o país acompanha as tendências europeias?
JBS | Portugal não só acompanha a evolução tecnológica europeia como se destaca pela sua inovação. Por exemplo, este ano, o primeiro centro ibérico a implantar uma válvula aórtica percutânea já assinala 10 anos. Há 13 centros a realizar esta técnica, entre públicos e privados em Portugal.
Gostaria de realçar algo muito importante para a Cardiologia de Intervenção portuguesa, que é o nosso Registo Nacional de Cardiologia de Intervenção (RNCI), ferramenta que não existe em muitos países de forma organizada como existe no nosso país e que permite coletar, de uma forma contínua, toda a atividade no âmbito da Cardiologia de Intervenção, que ocorre em todos os laboratórios de Cardiologia de Intervenção no território nacional.
NF | Passando em revista o ano de 2017, que momentos marcaram a Cardiologia de Intervenção e com que olhar perspetiva o ano que aí vem?
JBS | 2017 foi um ano especial para a Cardiologia de Intervenção. Comemorámos os 40 anos da primeira angioplastia coronária percutânea, os 25 anos da primeira angioplastia por via radial e os 15 anos da primeira implantação de uma válvula aórtica percutânea. No âmbito da nossa Reunião Anual, realizámos uma cerimónia onde foi possível juntar na mesma sala os pioneiros das duas primeiras técnicas, o que constitui um marco histórico da nossa direção. Este ano vamos ter seguramente mais marcos para assinalar o papel da Cardiologia de Intervenção no nosso país.
NF | Que iniciativas tem a APIC agendadas para 2018?
JBS | Este ano vamos promover a primeira campanha nacional de consciencialização para os sintomas da estenose aórtica, uma doença que afeta mais de 30 mil portugueses acima dos 70 anos. A campanha com o nome “Corações de Amanhã” pretende aumentar o conhecimento e compreensão sobre estenose aórtica, promovendo o seu diagnóstico e tratamento precoce. Com esta iniciativa, queremos reforçar o nosso compromisso com a educação para a saúde junto dos doentes e da sociedade civil.
Manteremos o trabalho desenvolvido na iniciativa Stent Save a Life e a formação e educação dos jovens cardiologistas continuará a ser também uma prioridade. Teremos mais iniciativas formativas D@CL, manteremos a rúbrica do artigo científico comentado e vamos estimular a participação dos mais novos no prémio jovem cardiologista de intervenção na Reunião Anual.
Iremos promover a Reunião VaP-APIC nos dias 25 e 26 de janeiro e a nossa Reunião Anual em outubro. Participaremos como convidados na Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Cirurgia Cardiotorácica e Vascular (SPCCTV), em novembro.
A nível internacional, manteremos a nossa colaboração no EuroPCR, sendo que este ano teremos uma sessão conjunta com a Irlanda; participaremos no Congresso Anual da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI) em junho; participaremos na International Society Sessions do TCT em setembro, no 3.º CTO Summit em São Paulo; e no GISE em outubro.
Decorrente da nossa “Aliança Latina” com o Società italiana di cardiologia (GISE) e a SEHCI, teremos uma Reunião em Madrid em abril dedicada aos mais jovens, sobre “Gray zone” na Cardiologia de Intervenção; iniciaremos registos multicêntricos entre os três países e estamos a elaborar em conjunto um Consenso sobre Implantação de Válvulas Aórticas Percutâneas.
NF | Há mais algum assunto que queira destacar?
JBS | A Cardiologia de Intervenção tem na APIC a sua imagem e a sua representação. Gostaria de destacar o empenho de todos os que abraçaram o nosso projeto APIC e a forma entusiasta e generosa como têm colaborado connosco sempre que solicitado. Seremos um foco de união de toda a Cardiologia de Intervenção portuguesa e estaremos na primeira linha na defesa dos nossos doentes, pois são eles a principal razão da nossa existência como profissionais e, enquanto associação, a APIC tudo fará para que todos, independentemente da sua condição social ou do local onde habitem, beneficiem de tratamento moderno e inovador.


