Sabe-se que cerca de 25% dos pólipos não são detetados durante a colonoscopia de rastreio. Isto parece ser um problema multifatorial (paciente, endoscopista, procedimento), mas 86% dos CCR pós-colonoscopia explicam-se por fatores dependentes do procedimento, logo possíveis de prevenir.
Neste sentido, tem sido grande o esforço para melhorar e maximizar o potencial da colonoscopia. As sociedades científicas de endoscopia definiram critérios de qualidade, salienta-se a taxa de deteção de adenomas (ADR) pela comprovada relação inversa com o risco de CCR intervalo; e a comunidade médica associada à indústria têm investido na busca de inovações metodológicas.
Têm-se estudado:
A - Variações metodológicas da colonoscopia, sobretudo para avaliação do cólon direito: 1. Infusão de água na introdução, que demonstrou melhoria significativa da ADR em comparação com a insuflação, particularmente com a técnica “water exchange” (instilação de água e aspiração de resíduos durante a progressão); 2. Reavaliação do cólon direito na mesma colonoscopia, visão frontal e/ou retroflexão, qualquer revisão da mucosa (sobretudo se havia pólipos no cólon direito, idade avançada e dúvidas na observação) traz incrementos na ADR.
B - Imagem endoscópica avançada 1. Imagem HD, deve ser a tendência, já que os estudos apontam melhoria nas taxas de deteção de pólipos e adenomas; 2. Cromoendoscopia eletrónica, salvo situações específicas de vigilância, esta metodologia (tanto em versão normal com HD) traz uma melhoria apenas marginal aos indicadores de deteção de pólipos na população de risco padrão.
C - Novos endoscópios: 1. FUSE® (grande angular) parece ter potencial, mas são necessários mais estudos; 2. Olympus® (angular extra-larga) até ao momento só apresentou vantagem em áreas mais anguladas e de estreitamento luminal, continua em desenvolvimento; 3. Aer-O-Scope®, maus resultados globais, equipamento abandonado.
D - Acessórios adaptados ao endoscópio: 1. Third-eye retroscope e panoramic®, o primeiro foi abandonado pelas dificuldades no manuseamento do canal de trabalho, para o segundo há até ao momento apenas um estudo com resultados promissores, mas está ainda em desenvolvimento; 2. G-EYE® colonoscopia assistida por balão, tem apresentado bons resultados globais e parece promissor; 3. Cap, Endocuff® e EndoRings®, apesar de alguma heterogeneidade nos estudos, estes acessórios simples aumentam globalmente a ADR sem complicações significativas associadas, não há análise comparativa entre eles.
A profusão de estudos e informação na literatura, sustenta a ausência de uma resposta ótima. Até ao momento, a maioria das inovações introduzidas apresenta um incremento diagnóstico apenas ligeiro, por outro lado consomem mais tempo, têm constrangimentos financeiros, ou mesmo implementação prática inviável. Enquanto não existirem recomendações podem usar-se algumas das novas metodologias de acordo com a disponibilidade e experiência. Simultaneamente, o cumprimento dos princípios gerais da colonoscopia de qualidade (preparação intestinal, inspeção meticulosa, tempo de retirada...) devem reger a nossa prática clínica.
Artigo originalmente publicado no Jornal do Congresso da Reunião Monotemática da SPG 2018


