News Farma (NF) | Arrancou hoje, dia 26 de novembro, o FÓRUM Diplomacia da Saúde. Em que consiste o evento? Quais os principais objetivos?
Dr. Jorge Félix Cardoso (JFC) | O FÓRUM é um espaço de formação, discussão e fomento de uma cultura de Saúde Global e Diplomacia da Saúde em Portugal. Ao longo de um dia, haverá espaço para ganhar familiaridade com os conceitos chave do tema, para debater as principais tendências atuais e para ajudar a desenhar o futuro. O evento é a resposta a uma necessidade bem identificada na estratégia de Portugal na Europa e no Mundo: um papel interventivo na saúde das populações, contribuindo para uma existência coletiva mais saudável no planeta.
O principal objetivo da organização é o da criação de uma massa crítica coesa que traga o tema para Portugal, lhe dê destaque e o impulsione, aproveitando todas as potencialidades do nosso país nesta área. Estamos confiantes na capacidade do FÓRUM de formar profissionais do setor da saúde para uma ação na área da Saúde Global, utilizando o conjunto de ferramentas que compõem a Diplomacia.
NF | Quais os destinatários da iniciativa?
JFC | O participante ideal é alguém interessado em discutir a saúde como um desafio global, transfronteiriço e multidisciplinar, num espírito de cooperação e partilha de experiências entre profissionais de saúde, economistas, diplomatas, advogados e políticos. Felizmente, conseguimos reunir nesta primeira edição um conjunto muito diverso, quer em contextos geográficos, quer em contextos profissionais, quer em experiência profissional.
NF | Quais os temas do programa que destaca?
JFC | Nesta primeira edição, estará em destaque a saúde na carreira diplomática, com um painel de embaixadores que inclui o diretor do Instituto Diplomático português, o Embaixador Freitas Ferraz, o embaixador da República Checa em Portugal, Petr Selepa, e o embaixador da Guiné-Bissau, Hélder Vaz, moderados pelo Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães.
NF | O FÓRUM conta com a presença de quantos oradores? E quantos participantes?
JFC | Por ser um evento com um cariz muito prático, escolhemos um equilíbrio aproximado entre o número de oradores e participantes, garantindo uma experiência extremamente rica aos participantes e um ambiente mais intimista aos oradores, facilitador de conversas mais genuínas. Ao todo, vamos ter cerca de 20 oradores e 35 participantes, estes últimos vindos de sete países diferentes (Portugal, Brasil, Argentina, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Angola) e com percursos que incluem a atividade assistencial na saúde (médicos, enfermeiros), a administração hospitalar, a política, a informática médica e a economia.
NF | No final do dia vão ser apresentadas as conclusões dos grupos de trabalho do Gabinete de Saúde Global? Que grupos de trabalho são estes? Quais as principais conclusões?
JFC | O Gabinete de Saúde Global é um workshop que terá como objetivo providenciar e estimular um exercício que permite a aplicação dos conhecimentos mais teóricos adquiridos durante o FÓRUM, numa componente mais prática e ativa do dia. O objetivo do exercício é o desenvolvimento de uma proposta/projeto para a criação de um verdadeiro "Gabinete de Saúde Global" em Portugal.
Para este efeito, os participantes serão divididos em três grupos de trabalho:
1. Recursos Humanos;
2. Inovação e Tecnologia;
3. Agenda Portuguesa da Saúde Global.
Os participantes terão de se colocar na pele de membros do Gabinete de Saúde Global e identificar desafios, soluções e propostas para o tema que lhes é atribuído, tendo em conta o objetivo superior de criação deste Gabinete - que pode tomar diferentes formas.O workshop irá aplicar várias ferramentas de estímulo à criação de ideias e propostas, tal como o design thinking e a prática de negociação. Para ajudar a estimular os trabalhos de grupo, os grupos de trabalho terão, cada um, três mentores ao seu dispor; especialistas de várias áreas no campo da Saúde Global, que servirão como consultores, partilhando a sua experiência, opinião e know-how.
NF | O que é a Diplomacia da Saúde? Por que é tão importante discutir este tema?
JFC | A Diplomacia da Saúde pretende reunir as disciplinas de Saúde Pública e Saúde Global, Relações Internacionais, Gestão, Direito e Economia, e focar-se nas negociações que moldam e determinam as políticas de saúde a nível global – desde a gestão e controlo de epidemias ao impacto das alterações climáticas na saúde. A importância do tema tem-se refletido nas várias instituições: a Organização Mundial da Saúde criou uma unidade de trabalho dedicada e o Departamento de Estado dos EUA tem também um gabinete a trabalhar a Diplomacia da Saúde Global.
Com a multiplicação de agentes não-governamentais a financiar programas de investigação e assistenciais na área da saúde, a coordenação dos agentes faz-se sobretudo recorrendo a fóruns onde a Diplomacia da Saúde é um recurso crucial a ser mobilizado. Portugal, enquanto país com capital humano e histórico qualificado, e reconhecido internacionalmente como parceiro confiável e respeitador, pode afirmar-se como líder no âmbito da Saúde Global, promovendo saúde para todos, eliminando desigualdades e carências e promovendo o bem-estar das populações.


