A biópsia líquida configura a possibilidade de se obter informação sobre doença a partir de um biofluido (sangue, urina ou saliva), através de uma técnica minimamente invasiva.
“No caso da bexiga, e mais concretamente de doença oncológica, o tumor está em contato direto com a urina. Ao descamarem ou morrerem, as células libertam os seus componentes (ADN, proteínas, RNA, entre outras) e, assim sendo, a urina é um manancial poderoso de indicadores biológicos sobre a doença”, explica a Prof.ª Doutora Paula Soares, investigadora do i3S/IPATIMUP.
Para os doentes, o facto de estas biópsias serem minimamente invasivas é uma mais-valia enorme, “se pensarmos naquilo por que tem que passar um doente com cancro da bexiga com cistoscopias sucessivas”, adianta a professora da FMUP. Para os médicos, a maior vantagem advém do facto de a biópsia líquida permitir aceder ao ADN e às alterações genéticas presentes no tumor. Desta forma, avança a especialista, “é possível monitorizar a doença, saber como é a sua evolução e, numa fase posterior, personalizar a terapêutica, escolhendo, com base nos biomarcadores identificados, o tratamento mais adequado”.
A partir de um projeto de investigação levado a cabo no i3S/IPATIMUP, que se debruçou sobre a existência de “uma alteração genética muito prevalente no cancro da bexiga, a equipa a que pertenço criou uma startup com vista ao desenvolvimento de um método de biópsia líquida capaz de detetar na urina um conjunto de biomarcadores genéticos”, esclarece a investigadora, acrescentando que a técnica desenvolvida pela sua equipa “foi especialmente desenhado para doentes com tumores da bexiga de baixo grau, uma vez que estes são os mais difíceis de diagnosticar e de seguir por citologia”. Este método de biópsia líquida permite, assim, fazer o seguimento da doença através da pesquisa desses biomarcadores específicos na bexiga.
Os biomarcadores específicos que se utilizam atualmente no tumor da bexiga de baixo grau – essencialmente, o FGFR e as mutações da telomerase – estão presentes em cerca de 80% dos cancros da bexiga de baixo grau, pelo que “esta técnica é bastante sensível e muito específica para esta patologia”, conclui a Prof.ª Doutora Paula Soares.


