News Farma (NF) | Quais são os principais objetivos deste projeto da MSD e a quem é que se destina?
Dr. Daniel Pereira da Silva (DPS) | O principal objetivo é rever tudo o que anda à volta das doenças relacionadas ou associadas ao HPV, atendendo à sua importância na prática clínica.
Podem participar todos os ginecologistas e internos da especialidade de Ginecologia/Obstetrícia, bem como todas as especialidades que lidam com doenças associadas a este vírus. Ou seja, todas as áreas cuja localização está demonstrada a presença de lesões associadas ao HPV são convidadas a estar presentes e a apresentar os seus casos, as diversas experiências e trocar impressões convertendo este projeto num momento mais enriquecedor, proporcionando uma perspetiva multidisciplinar, que é realmente essencial quando falamos do HPV.
NF | Quais são os procedimentos para a submissão de candidaturas?
DPS | Através da plataforma online é possível submeter os casos clínicos. O processo passa pelo envio de um abstract à comissão científica que tem uma representação nacional com especialistas de diversas especialidades. As propostas serão analisadas para depois serem apresentadas em posters ou em comunicações.
NF | A relação do HPV com o cancro do colo do útero é já conhecida. Que outras patologias podem estar associadas?
DPS | A relação do HPV com o cancro do colo do útero é, de facto, a mais conhecida por ser a mais prevalente e daí a sua importância na prática clínica. Porém, o impacto do HPV não se resume ao cancro do colo do útero.
No que à mulher diz respeito, pode ter implicações na vulva e na vagina quer sejam patologias benignas, como é o caso dos condilomas acuminados, quer sejam patologias pré-malignas ou malignas, como o cancro da vulva e o cancro da vagina. Depois existem patologias que são comuns aos dois géneros, quer sejam no anogenitais, portanto anais, mais concretamente, ou da cavidade oral, a orofaringe, onde ocorrem lesões por vezes graves.
NF | A comissão científica reúne especialistas das mais diversas especialidades o que espelha a emergência de uma abordagem científica mais diversificada.
DPS | Exatamente. Mesmo a Ginecologia, admito que seja a especialidade que tem, diria eu, um conhecimento mais alargado de toda a patologia específica relacionada com o HPV, mas tem muito a aprender com a experiência das outras especialidades. E vice-versa. Na minha ótica, essa troca de impressões é sempre muito enriquecedora.
Ao longo da minha vida, enquanto profissional, tive sempre muito interesse pelas reuniões multidisciplinares pois é onde se conglomeram perspetivas diversas o que vem enriquecer a nossa perspetiva, a nossa análise, o nosso conhecimento e a nossa forma até de abordar os casos.
NF | Por que motivo é importante promover discussão científica acerca deste tema em particular?
DPS | Sem dúvida, pela sua prevalência. A patologia do HPV é conhecida há muito tempo, mas a implicação do HPV nas outras áreas continua em desenvolvimento e em investigação, como é o caso da orofaringe. Portanto, o conhecimento não está encerrado, muito pelo contrário. Ele está em aberto em relação à forma como o vírus atua, relativamente à história natural da doença nas suas diversas localizações e muitos aspetos são ainda relativamente desconhecidos.
O HPV por outro lado está envolvido como disse, numa vasta gama de patologias, benignas, pré-malignas ou malignas, em que o cancro do colo do útero acaba por ser o mais prevalente, sem dúvida, e tem maior impacto não só em Portugal, como no mundo inteiro, mas há outras localizações. Essas localizações tendem a ter uma importância relativamente crescente atendendo à mudança de comportamentos que têm as populações contemporâneas, seja qual for o género. Portanto, há uma mudança muito grande e não sabemos quais são as consequências dessas alterações comportamentais.
O HPV, sendo uma das infeções genitais mais prevalentes, é fundamental evidenciar o seu impacto. Não menos importante, é desmistificar a importância da infeção em homens e mulheres, porque tem resolução espontânea na maioria dos casos. Até nesse aspeto é importante que se atualizem e divulguem conhecimentos.
NF | Enquanto representante da comissão científica, quais são as suas expectativas?
DPS | As expectativas são muito elevadas. É uma iniciativa que tem o patrocínio da FSPOG e de várias sociedades cientificas, entre as quais a SPG. Tenho a honra de participar neste comité científico que reúne colegas de excelência, pessoas extremamente diferenciadas nesta área e, para mim, é uma honra estar entre eles. Juntos, partimos para a elaboração de um programa diversificado e que envolve todas as áreas em que o HPV tem ou pode ter importância. Acho que essa multidisciplinariedade está a despertar um grande interesse nas várias especialidades que estão aqui envolvidas e daí que a minha expectativa seja elevada em relação à presença, à participação das pessoas e, claro, à apresentação dos casos que é sempre muito interessante e torna as reuniões mais práticas e interativas.
NF | As candidaturas terminam já no dia 30 deste mês, junho. Gostaria de deixar uma mensagem de incentivo à participação?
DPS | Bem sei que o tempo nunca é muito e os médicos são extremamente ocupados. Criar espaço nas suas vidas para fazer a preparação de um caso, não é fácil. Mas é um convite que faço. Estou certo de que a reunião será do agrado de todos os presentes e, acima de tudo, enriquecedora. Sem dúvida, não darão por mal empregue o tempo despendido em prol desta iniciativa.


