ISIDOG: um espaço de troca de ideias, de contactar com a novidade e de estabelecer pontes para futuros projetos

Dr. Pedro Vieira Baptista
21/06/19
ISIDOG: um espaço de troca de ideias, de contactar com a novidade e de estabelecer pontes para futuros projetos

Entre os dias 21 de outubro e 3 de novembro decorre, no Sheraton Porto Hotel, a 3.ª edição do Infectious Diseases in Obstetrics and Gynecology (ISIDOG) Congress. O Dr. Pedro Vieira Baptista, membro da Comissão organizadora, em entrevista à News Farma, evidencia a importância do evento para a comunidade científica e adianta que a aposta passou por um “bom programa e um conjunto de oradores de elevadíssimo valor”.

News Farma (NF) | O que representa para a comunidade científica portuguesa receber um Congresso desta dimensão?

Dr. Pedro Vieira Baptista (PVB) | O conhecimento na área do microbioma do trato genital feminino tem crescido a grande ritmo nos últimos anos - para além da tradicional visão das “infeções”. Percebe-se muito melhor hoje o papel dos microrganismos na nossa saúde e doença. Ainda que seja um congresso de “infeções em Ginecologia e Obstetrícia”, muito se discutirá também de “saúde”.
O interesse destes temas é inquestionável, especialmente numa época em que se assiste a um aumento das infeções de transmissão sexual (paralelo à diminuição do receio do VIH, às aplicações para encontros, etc.).

Como sempre, trazer um congresso internacional para Portugal é um momento de orgulho - e de reconhecimento. Mais do que um reconhecimento pelo nosso “saber receber”, é também um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelos portugueses neste campo.

O primeiro dia do congresso será exclusivamente em língua portuguesa, contando com a participação de diversos investigadores de renome, nomeadamente do Brasil. Será um momento de colocar no mapa a investigação realizada em língua portuguesa. Muitas vezes os meios são insuficientes, mas a capacidade não nos falta e é importante que tal possa ser revelado!

NF | A quem é que se destina?

PVB | O leque de destinatários é vasto: para além do óbvio (ginecologistas e obstetras), a área das infeções é transversal a muitas especialidades, incluindo a Dermatologia, Oncologia, Saúde Pública e Infecciologia. É fundamental não esquecer a Medicina Geral e Familiar: nenhuma outra especialidade está tão próxima dos doentes - não investir em tal traduz uma grande perda de oportunidades.

Para além das especialidades médicas, este congresso destina-se igualmente a biólogos, farmacêuticos, enfermeiros com interesse na área e técnicos de laboratório. Inerentemente ao rastreio e diagnóstico de infeções, existe o mundo dos testes - haverá diversas sessões dedicadas a estes temas, fundamentais tanto para clínicos como para profissionais de laboratório.

Acreditamos que uma reunião deste género é uma mais-valia para os internos: apostámos em ter preços muito acessíveis para estes de modo a facilitar a sua participação.

NF | Quais os principais temas em destaque no ISIDOG?

PVB | O leque de temas é muito abrangente, daí que chegue a um grupo tão alargado de profissionais. Destacaria, da sessão em português, as vaginites (um tema tantas vezes tido como “fácil”, mas onde são cometidos tantos erros em termos de abordagem diagnóstica), as infeções em obstetrícia (incluindo por CMV e os novos métodos de rastreio da colonização por Streptococcus do grupo B), o papel dos probióticos e, claro, a infeção por HPV.

Da parte internacional, os temas são muito atuais, pertinentes e específicos - sempre com uma visão prática: o microambiente vaginal e o seu papel na gravidez, a Imunologia da resposta às infeções vaginais, orientação dos casos de candidíases resistentes, as aplicações práticas do conhecimento sobre o microbioma (incluindo na infeção por HPV e na infertilidade), o papel dos probióticos, as infeções de transmissão sexual na era digital - apenas para salientar alguns dos pontos mais importantes de uma forma genérica.

Penso que a sessão de abertura, “Seeing infections with renewed eyes”, que será proferida pelo Prof. Doutor Martinez de Oliveira será um elevado ponto de reflexão e uma boa antevisão do futuro!

NF | Relativamente aos palestrantes, que figuras gostaria de destacar?

PVB | É difícil destacar palestrantes, não apenas pelo risco de ser injusto ao nomear uns e não o fazer a outros, mas também porque o nível geral é elevadíssimo. Ainda assim, caindo, no erro, nomeio: o Prof. Doutor Werner Mendling, o Prof. Doutor Francesco de Seta, o Prof. Doutor Ljubomir Petricevic, o Dr. Jefferson Valença, o Dr. Phillip Hay, o Prof. Doutor Paulo Giraldo, o Dr. Jack Sobel… Um grupo de luxo! Não esquecendo, obviamente, os portugueses: o Dr. Daniel Pereira da Silva, o Prof. Doutor José Martinez de Oliveira, a Dr.ª Ana Palmeira de Oliveira, o Dr. Carlos Sousa e a Dr.ª Fernanda Águas, entre outros.

NF | No que respeita à submissão de trabalhos científicos, consegue adiantar se a adesão da comunidade científica portuguesa tem sido grande?

PVB | O prazo para submissão de resumos termina a 1 de setembro, portanto, o pico de submissões ainda está para chegar. Estamos certos que os portugueses não perderão esta oportunidade de submeter os seus trabalhos para uma reunião com este nível científico!

Já estamos habituados em edições anteriores a assistir a boa participação - tanto em quantidade como em qualidade - de grupos portugueses. Contamos que tal se repita este ano, mais ainda, “jogando em casa”!

NF | Quais as expectativas em relação ao evento?

PVB | As expectativas são, naturalmente elevadas! Apostámos num bom programa e um conjunto de oradores de elevadíssimo valor! Contamos não apenas com uma boa adesão de participantes de fora do país, como de nacionais.

Será um espaço privilegiado de troca de ideias, de contactar com novidades em primeira mão, de estabelecer pontes para futuros projetos.

Temos a certeza que o nível científico vai ser elevadíssimo e, por tal, contamos com uma forte e entusiástica participação!

O programa completo está disponível aqui.

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