Esta nova abordagem, implica mudanças nos cuidados de saúde prestados, mas também nos sistemas de informação que os suportam. Obrigam a um conhecimento / ligação 24h*7, de forma remota (telemedicina, monitorização etc.) e presencial.
O conhecimento do “cliente” terá de ser partilhado pelos diferentes prestadores, cuidadores, por forma a manter o nível de serviço esperado neste novo serviço de saúde. Este serviço será personalizado, dimensionado e adaptado a cada um, levando eventualmente a uma poupança de custos, energias em tratamentos sem efeitos positivos naquele individuo.
O sector do IT tem uma oportunidade não só na criação de novos dispositivos móveis, na criação de aplicações e plataformas de relação com clientes, na adaptação de sistemas de gestão hospitalar, mas sobretudo no desafio de interoperar todo este ecossistema.
As soluções de interoperabilidade permitem a integração de informação de várias fontes clinicas e administrativas do “cliente”. O processamento de toda esta informação entre sistemas permite aos profissionais apurar de forma mais precisa diagnósticos e definir terapêuticas. Num futuro próximo, poderemos até atuar antes da doença.
A interoperabilidade é um desafio global. Como caso de êxito, a Minsait tem projetos recentes em Bogotá (Colômbia), onde está a decorrer o projeto de História Clínica Eletrónica Unificada (HCEU), que centralizará a informação clínica dos pacientes registada nos 22 hospitais públicos da capital, permitindo agilizar o atendimento a cerca de oito milhões de pessoas.
Em Portugal, por exemplo, existem vários projetos de interoperabilidade, sendo uma necessidade identificada no contexto público e no privado. São projetos, que para terem uma abrangência global, representam um grande investimento. Em termos de SNS, está nos objetivos da Estratégia TIC 2020 para a saúde, uma linha dedicada à interoperabilidade que na prática se tem traduzido em projetos locais de ligação de sistemas de cada Unidade Local de Saúde.
Um desafio que gostaríamos de lançar seria o de um projeto piloto de integração de vários centros ou unidades locais de saúde, ou mesmo interagindo com sistemas de outras áreas governativas (como a segurança social). A ligação das várias áreas com visões complementares do mesmo “cliente” permitiria um serviço público, beneficiando prestadores e utentes do serviço de saúde.
Artigo escrito pela Dr.ª Joana Miranda, diretora da área de Administração Pública e Saúde da Minsait


