News Farma (NF) | A pouco tempo da realização da Conferência INOFARMA, poderia explicar-nos no que vai consistir este evento e a quem é dirigido?
Dr. Daniel Guedelha (DG) | A conferência INOFARMA destaca-se desde já pela forma orgânica como surgiu: a vontade de dar de volta a Portugal e de contribuir com um debate desafiante e construtivo sobre a saúde e o uso das tecnologias em Portugal. Num passo inovador, a audiência composta por líderes de opinião de instituições públicas e privadas e representantes da sociedade civil, terá oportunidade de participar e intervir na discussão. As propostas e recomendações recolhidas na conferência serão posteriormente sistematizadas num white paper, garantindo-se assim o impacto duradouro da conferência.
O público alvo da INOFARMA são diretores C-level, decisores hospitalares, membros do governo, seguradoras, médicos, representantes da indústria Farmacêutica e de Med Tech. Vamos ter igualmente star-ups e grandes personalidades da área da saúde, quer a participar no evento, quer a assistir à conferência.
NF | O que motivou a organização deste evento e qual a necessidade do mesmo no setor da Saúde?
DG | A INOFARMA tem na sua origem a ideia de "dar de volta a Portugal". Dois amigos, Dr. Daniel Guedelha e Dr. André Correia, a viver há mais de uma década fora de Portugal e a trabalhar em áreas ligadas à saúde e novas tecnologias, publicaram estudos relevantes nestas áreas. Com os trabalhos a complementarem-se, várias ideias começaram a ganhar forma até que, em abril de 2018, surgiu a ideia da organização de um evento em Portugal que discutisse a importância do Digital Health e debatesse o papel de Portugal como um centro de excelência na Europa nesta área.
Houve então a necessidade de criar uma equipa forte e experiente composta pela Dr.ª Mafalda Rente, Dr.ª Sónia Crujo e Dr. João Tiago Fernandes. Igualmente fundamental para o sucesso da INOFARMA foi a composição do Advisory Board constituído pela Dr.ª Margarida Bajanca, Dr. Luís Rocha, Dr. Pedro Pita Barros e Dr. Diogo Moreira-Rato.
Na base de todos estes pontos está a convicção de que Portugal tem enormes potencialidades na área das novas tecnologias (ver pergunta seguinte) e uma necessidade grande e crescente no sector da saúde.
NF | Sabemos que um dos objetivos desta Conferência é contribuir para a excelência de Portugal em digital health. Na sua opinião, como está Portugal neste campo num contexto europeu? O que falta fazer a nível nacional?
DG | Em termos tecnológicos, Portugal é já reconhecido em diversos sectores de atividade, por gigantes como a Google ou Amazon, que procuram o nosso país para se estabelecerem.
Igualmente, iniciativas como o WebSummit e programas governamentais, como por exemplo o Startup Portugal, catalisam a existência de um ecossistema que potencia a criação de startups, inovação e dinamismo num país que tem tanto para oferecer.
Por outro lado, apesar de ser um país pequeno em termos de população, tem uma rede de expatriados bastante qualificada, diversificada e competitiva. A grande vaga de emigração que se fez sentir no passado recente pode ser agora uma vantagem competitiva em duas frentes:
- trazer ideias novas para dinamizar o sector com aquilo que de melhor se faz lá fora, complementando o que de muito bom já existe internamente;
- criar as pontes necessárias, com os principais decisores, que permita a entrada de cash flow e working capital para as iniciativas necessárias.
Na INOFARMA queremos debater algumas destas potencialidades e procurar soluções para os desafios que Portugal enfrenta. O nosso país está neste momento bem posicionado para assumir um papel relevante no contexto europeu como sendo um centro de excelência para a saúde e o digital.
NF | Quais os tópicos do programa científico que gostaria de destacar?
DG | A conferência INOFARMA conta com uma excelência dos oradores em cujos painéis será explorado o impacto na educação, analisar o papel das startups, perceber como está o setor a abraçar a inovação, e finalmente, debater como pode Portugal afirmar-se no contexto Europeu. Gostaríamos sobretudo de destacar a qualidade dos oradores e moderadores de cada painel, bem como o debate que se espera rico, com o conjunto de individualidades que vão assistir à esta conferência.
De forma mais específica será abordado no bloco da educação a vertente dos recursos em Portugal. Veja-se como as universidades portuguesas continuam a produzir excelente capital humano, nomeadamente nas áreas de investigação, engenharia, medicina e gestão. As escolas portuguesas são preferidas por muitos que, anos mais tarde, serão líderes de opinião, reconhecidos a nível global.
De destacar igualmente o último painel da conferência cujo tema será “Como Tornar Portugal um Centro de Excelência Europeu de Digital Health?”. Neste painel será abordado, entre outros elementos, o facto de Portugal já ser cada vez mais conotado com novas tecnologias e de continuar a ser necessário um diálogo constante entre os principais intervenientes dos sectores da saúde público e privado. Este trabalho tem de ser desenvolvido em benefício de cada uma das instituições, mas sobretudo, coordenado para o desenvolvimento de Portugal, colocando sempre o paciente no centro.


