Muitas vezes, o conceito é banalizado e, em determinadas situações, podem surgir consequências graves. Até ao momento, não existem dados efetivos sobre a incidência e prevalência da anemia em Portugal. Mas este cenário vai mudar. O Anemia Working Group (uma associação recém-criada no nosso país que visa aumentar o conhecimento sobre as anemias) vai desenvolver um estudo epidemiológico que pretende obter um retrato nacional concreto da prevalência da doença, para posteriormente ser possível uma melhor definição de estratégias de abordagem. Outro foco importante para este grupo consiste na realização de ações que posicionem a anemia na plataforma de importância que tem, sensibilizando e alertando para este importante problema de saúde pública.
O cansaço é o principal sintoma subjetivo da anemia. A população em geral tende sempre a arranjar um motivo para justificar o cansaço e quase nunca admite a possibilidade de poder estar com anemia. No entanto, é imprescindível divulgar que, “para além deste, as alterações de humor, as insónias, a palidez, a queda de cabelo, as unhas frágeis e até a fraca apetência sexual são outros sinais que também devem ser valorizados pela população”, explica o Dr. Robalo Nunes, médico imuno-hemoterapeuta e presidente do Anemia Working Group.
A anemia ocorre quando existe uma diminuição dos glóbulos vermelhos e, por conseguinte, “o oxigénio não é transportado até aos tecidos nas melhores condições”. A doença pode ocorrer devido a causas carenciais (falta de aporte de nutrientes) e, em determinadas situações, também surge no contexto de outras patologias, como é o caso, por exemplo, das neoplasias e das doenças crónicas.
Neste momento, quando a população fala de anemia banaliza um pouco o conceito, mas, no fundo, não possui a informação necessária sobre os problemas que dela podem advir. Esta diminuição dos glóbulos vermelhos, por si só, pode ser um sinal muito importante da existência de um problema grave. Atualmente, “é um importante problema de saúde pública porque a prevalência, mesmo nas sociedades civilizadas e industrializadas, é muito elevada”, alerta Robalo Nunes.
A Organização Mundial de Saúde revela que “cerca de 25% da população mundial poderá ter algum tipo de anemia, sendo que metade é carenciada”. No entanto, é necessário chamar a atenção para o facto de que “a anemia ferropénica (por deficiência de ferro) é a mais prevalente. Nos dias de hoje, este tipo de anemia já pode ser tratado com eficácia, em tempo útil e com a obtenção de bons resultados”, revela o especialista.
Anemia Working Group: nova associação à disposição de médicos e doentes
Para tentar ajudar a “combater este problema de saúde pública”, foi criado no passado dia 5 de dezembro o Anemia Working Group, também denominado Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia. Especificamente, trata-se de um grupo de trabalho constituído por vários médicos de diversas especialidades que partilham o mesmo interesse: a anemia.
Segundo Robalo Nunes, “o grande objetivo desta união passa, fundamentalmente, por promover, de uma forma organizada, concertada e cumulativa, a realização de estudos e a formação e, ao mesmo tempo, definir estratégias para melhorar a abordagem ao problema”.
E reforça: “O Anemia Working Group pretende colocar a anemia na plataforma de importância que tem e que, lamentavelmente, nem sempre lhe é atribuída.” Nesta perspetiva, a ideia passa pela criação de um centro de referência de estudos e respetiva divulgação e, por outro lado, por fazer um alerta motivacional dirigido à população em geral, para que esta possa passar a valorizar determinados sintomas.
Estudo epidemiológico sobre a prevalência da anemia em Portugal
Uma das primeiras iniciativas do Anemia Working Group passa pelo desenvolvimento de um estudo epidemiológico sobre a prevalência da anemia em Portugal, relativamente à qual não existem registos nacionais. A avaliação já arrancou, sendo os primeiros resultados divulgados no final do primeiro trimestre deste ano.
“Será, assim, possível ter uma noção mais clara e efetiva do problema em Portugal, especialmente junto da população adulta”, possibilitando verificar a existência de eventuais assimetrias na distribuição do problema. “Só depois de ser efetuado o levantamento é que se podem delinear estratégias para se atuar em conformidade.”
Para além da quantificação do problema, o estudo visa ainda fornecer informação acerca dos tipos de anemia mais frequentes.
Apesar de existirem outras sociedades científicas que também estão devidamente alertadas para os problemas inerentes à anemia, “a criação deste grupo de trabalho vem assim colmatar uma lacuna, dado que, até ao momento, não havia uma dedicação extrema em termos individuais e públicos”, conclui Robalo Nunes.
Anemia é pouco valorizada
Redação News Farma
31/01/13
Criada Associação para o estudo da doença
Os portugueses já ouviram falar de anemia, mas no fundo não conhecem as causas que podem levar ao aparecimento da mesma.


