Cancro gástrico: “O combate a este flagelo”

05/12/22
Cancro gástrico: “O combate a este flagelo”

Em Portugal, o cancro gástrico é uma patologia associada a grande morbilidade e mortalidade, sendo o sexto cancro mais diagnosticado e o terceiro com maior taxa de mortalidade. É responsável por 2300 mortes por ano e 2950 novos casos, pelo que é “um problema real”, confirma a Dr.ª Catarina Pulido, oncologista no Hospital da Luz, em entrevista de sensibilização para esta patologia. Veja o vídeo.

Os valores apresentados pela especialista conferem um cenário preocupante para a população portuguesa. Além de surgiram muitos novos casos, cerca de um terço já apresenta metastização aquando do seu diagnóstico, manifestando-se com sintomas inespecíficos. Perda de peso e dor abdominal são os sintomas mais comuns de cancro gástrico. No entanto, a especialista destaca ainda algumas queixas mais raras como náuseas, saciedade precoce ou até hemorragia digestiva e anemia.

“Os profissionais de saúde, sobretudo em Cuidados de Saúde Primários, têm um papel muito importante na prevenção, nomeadamente na capacidade de intervir nos fatores de risco mais comuns para o cancro gástrico”, reflete a especialista, defendendo ainda que são necessárias políticas de saúde para reduzir a obesidade, o consumo de álcool e de sal.

Em oposição a outras patologias, no cancro gástrico, “o rastreio é um tema muito polémico em Portugal”. A especialista destaca que o rastreio endoscópico é “uma realidade” e que está “perfeitamente indicado e estabelecido” em países com uma incidência de cancro gástrico muito elevada, como o Japão ou a Coreia. Já em países de incidência intermédia, como é o caso de Portugal, esta prática ainda não é recomendada pela Sociedade Europeia de Oncologia, pelo que se “reserva este tipo de rastreio para pessoas com condições que já acarretam risco de cancro gástrico”.

Além da ausência de rastreio e da dificuldade de diagnosticar, “os tratamentos atuais ainda não são muito eficazes nem muito bem tolerados”. A doença em estadio avançado apresenta um prognóstico muito reservado, com medianas de sobrevivência global de 12 meses. “Isto testemunha que as terapêuticas ainda não são tudo o que nós precisávamos que fossem.”

Apesar disso, nos últimos anos, surgiram ensaios positivos de fase 3 e de “muito boa qualidade”, com valor demonstrado em algumas novas terapêuticas. “Temos resultados até muito promissores com imunoterapia.”

Contudo, a especialista realça que ainda há muito para estudar e aprender nesta patologia. Até chegar ao principal objetivo — diminuir a taxa de incidência e suas consequências —, a oncologista apela a que se “adotem medidas de dieta e de estilo de vida mais saudáveis e, quanto mais for incorporado na nossa cultura e rotina, mais próximos estaremos de combater este flagelo que é o cancro gástrico”.

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