“As doenças alérgicas são uma sentinela do impacto do ambiente na saúde humana”

30/05/23
“As doenças alérgicas são uma sentinela do impacto do ambiente na saúde humana”

“O campo da alergia funciona como um indicador precoce da desregulação destes ecossistemas e o que fizermos hoje para a saúde será a nossa saúde do amanhã.” Palavras do Dr. Libério Ribeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia Pediátrica (SPAP), no âmbito do lema para o 11.º Congresso, que decorre já esta semana, de 1 a 3 de junho, no hotel MH Peniche. Veja a entrevista e inscreva-se no encontro para uma partilha de experiências e conhecimentos em áreas tão diversas da Alergologia.

“Saindo do Antropoceno” é o lema criado para mais uma edição do congresso major da Alergologia Pediátrica. “Nos últimos tempos, entrámos numa nova era geológica, em que a atividade humana se sobrepôs à atividade natural, o que traz impactos para o planeta, com alterações tanto no clima como nos ecossistemas, com repercussões na humanidade, na saúde global e nas doenças alérgicas.”

Com este ponto de partida, o campo da alergia sofreu alterações, desde logo as mudanças na época e na intensidade da polinização, aumentando assim as doenças alérgicas, bem como respiratórias, devido ao ar cada vez mais “poluído e agressivo para as vias respiratórias”.

Neste sentido, as sociedades científicas são o ponto de contacto para alertar as autoridades responsáveis, com o objetivo de “inverter esta situação”. E os alergologistas estão “mais aptos para verificar as implicações destas alterações na saúde humana”.

Sobre o programa científico, o presidente destaca temas como obesidade e alergia, barreira cutânea e doença alérgica, riscos climáticos e asma pediátrica, sem nunca esquecendo novos temas como COVID-19 e confinamentos, dietas vegans, devido “ao contacto com novas proteínas e desenvolvimento de novas alergias a essas proteínas”, e até canábis, já que “há determinados constituintes na canábis, que contêm certas proteínas, que podem criar reações cruzadas com outros alimentos”.

“As crianças, como estiveram confinadas, o desenvolvimento do seu sistema imunológico não se fez adequadamente”, trazendo repercussões futuramente para o aumento da probabilidade de doença alérgica.

Por fim, o especialista convida todos os seus pares e interessados na área a inscreverem-se e comparecerem no encontro.

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