News Farma (NF) | O que é laparoscopia e quais as suas principais vantagens?
Dr. Carlos Leichsenring (CL) | A laparoscopia representa uma via de acesso minimamente invasiva, permitindo evitar as incisões clássicas e realizar as cirurgias por intermédio de pequenos orifícios. A realização de pequenas incisões entre 3 a 10mm permite uma cirurgia mais precisa, com menor manipulação dos órgãos e estruturas e que se irá traduzir em menos dor, rápida recuperação, trânsito intestinal e início da dieta mais precoce. Temos também a redução do número de infecções da ferida operatória e, claro, a vantagem estética de mini incisões.
NF | Em que contextos cirúrgicos a laparoscopia é mais útil?
CL | Em cirurgia abdominal (intestinal, urológica e ginecológica), a laparoscopia é hoje em dia a via de acesso preferencial pelas vantagens que apresenta.
NF | Quais as principais inovações que esta técnica sofreu ao longo dos anos e que impacto clínico tiveram?
CL | A realização de cirurgias por pequenas incisões levou a um grande desenvolvimento técnico quer a nível da imagem, quer a nível dos instrumentos utilizados para a sua realização (ópticas 3D, realidade aumentada). O impacto foi enorme a nível mundial com a redução dos tempos de internamento e ambulatorização de muitos procedimentos, criação de programas de recuperação cirúrgica optimizada, redução do tempo de absentismo laboral e redução global de hérnias incisionais (com a cirurgia clássica cerca de 25% dos doentes viria a ter uma hérnia incisional)
NF | Quais foram os principais objetivos e quem foram os destinatários desta formação?
CL | Sendo uma via de acesso diferente, a laparoscopia requer um treino muito específico de forma a que o cirurgião possa realizar com à vontade e perícia, todos os gestos que faria numa cirurgia clássica. E tudo começa pela aquisição de gestos básicos. Estes tipo de cursos centra-se no conceito do “clip and grap” ou seja, em exercícios de dissecção e obtenção de competências como a noção de profundidade, propriocepção e também de skills de sutura básica. Todos os internos de cirurgia abdominal, numa fase inicial da sua formação terão que obter estas competências.
NF | Quão importante são estes exercícios de simulação no treino dos cirurgiões?
CL | São essenciais. Numa era de elevadíssima exigência, muitas competências têm que ser obtidas em ambiente de simulação (que tem cada vez mais qualidade e relação com a realidade) evitando o treino na sala de operações por óbvias questões de segurança para o doente. Por outro lado, a prática faz a perfeição e este tipo de formação permite manter um treino continuado evitando a perde de competências.
NF | Este curso resultou da colaboração entre o CUF Academic Center e a Sociedade Portuguesa de Cirurgia Geral. Que frutos têm resultado desta colaboração?
CL | É uma relação simbiótica. Ambas as instituições reconheceram as inúmeras vantagens de trabalharem em conjunto. O Centro de Simulação CUF está preparado para dar resposta às necessidades formativas na área de cirurgia geral, mas também, de todas as outras áreas assistenciais, médicas e cirúrgicas. Nele têm sido desenvolvidos programas de formação adequados aos diferentes níveis de experiência e especialização dos profissionais de saúde.
| A Sociedade Portuguesa de Cirurgia tem competência técnica e formativa, conhecendo as necessidades dos cirurgiões, e a CUF Academic Center dispõe, no Centro de Simulação CUF, de condições de excepção em termos de infraestrutura física, recursos pedagógicos, simuladores avançados, material ex-vivo e métricas de aprendizagem que permitem construir um treino focado na evolução da curva de aprendizagem do formando. |
NF | Como tem sido a adesão ao curso e que apreciação global faz do mesmo?
CL | Estes cursos têm tido uma adesão total, esta é já a segunda edição em que as vagas esgotam. Para além da necessidade real dos mesmos, há uma reconhecida qualidade pelos formandos edição após edição. É muito gratificante ver a evolução rápida, dos formandos, durante os cursos.


