“Procuramos partilhar o trabalho das equipas de Endocrinologia na CUF”

25/08/23
“Procuramos partilhar o trabalho das equipas de Endocrinologia na CUF”

Os Serviços de Endocrinologia de vários hospitais CUF a nível nacional organizam, juntamente com a CUF Academic Center, o CUF Endocrine Crosstalks, a 29 e 30 de setembro. Em entrevista, o Dr. António Garrão, coordenador do evento, partilha quais são as expectativas e os principais temas para este encontro. As inscrições estão abertas. Leia a entrevista.

News Farma (NF) | Quais são as expectativas para esta edição do CUF Endocrine Crosstalks?

Dr. António Garrão (AG) | As expectativas são, obviamente, altas. Partindo de uma discussão participada e multidisciplinar, procuraremos partilhar o trabalho das equipas de Endocrinologia na CUF. Trata-se de uma especialidade que tem como objeto central as doenças metabólicas e endocrinológicas. Algumas têm elevada prevalência, como a obesidade, a diabetes mellitus e as doenças da tiroide, mas outras, com menor visibilidade, não deixam de ter larga expressão na população. São disso exemplo as relacionadas com a alteração do metabolismo ósseo (ou fosfo-cálcico) e a patologia da hipófise. A Endocrinologia está presente na rede CUF. Não sendo uma especialidade de órgão, apresenta interações com quase todas as outras especialidades, médicas e cirúrgicas. Neste contexto, também temos a expectativa de contribuir para uma melhoria destas interfaces que esperamos que se venha a traduzir numa melhoria dos cuidados de saúde prestados, na nossa área.

NF | Qual o público-alvo a que se destina a reunião?

AG | A reunião tem como público-alvo médicos, especialistas ou em formação, envolvidos nos procedimentos necessários à realização da citologia da tiroide guiada por ecografia e com áreas de atividade que, de alguma forma, tenham participação na gestão das patologias nela abordadas, nesta edição a obesidade e a patologia hipofisária. A título de exemplo, contaremos com a participação de médicos, em formação ou especialistas, em Endocrinologia e Nutrição, Anatomia Patológica, Imagiologia, Cirurgia Geral e Neurocirurgia.

NF | Quais foram os principais desafios sentidos na preparação da iniciativa?

AG | É a primeira reunião no âmbito da Endocrinologia, realizada na CUF, que procurou ter abrangência nacional o que, só por si, já constituiu um desafio. Por outro lado, como referi, a organização procurou que a reunião traduzisse a atividade diária da Endocrinologia, que passa pela interação constante com outras áreas e especialidades. A estrutura multidisciplinar das sessões também constituiu um desafio para os organizadores da reunião.

NF | O primeiro dia é dedicado ao Curso de Citologia Ecoguiada da Tiroide. Como descreve o papel desta técnica na prática clínica e de que forma foi preparado o curso para proporcionar aos formandos uma melhor utilização da mesma?

AG | A citologia aspirativa da tiroide guiada por ecografia é um exame central na abordagem diagnóstica dos nódulos da tiroide. Com a sua utilização, procuramos identificar, com segurança, os nódulos malignos que, sendo minoritários, carecem de uma abordagem diferenciada, que passa quase sempre pela realização de uma tiroidectomia. O Curso de Citologia Ecoguiada da Tiroide terá uma primeira parte mais teórica, em que será feita uma introdução à patologia nodular da tiroide e abordados temas relacionadas com o exame citológico e ecográfico e uma segunda parte prática, direcionada para a execução da técnica propriamente dita.

NF | O segundo dia foi guardado para a discussão de vários temas, tais como a patologia hipofisária. O que nos trará o CUF Endocrine Crosstalks sobre esta temática?

AG | Tem-se verificado, com o incremento da sensibilidade dos instrumentos tecnológicos atualmente à nossa disposição, que a prevalência da patologia hipofisária foi, no passado, subestimada. Por exemplo, hoje calcula-se que uma em cada mil pessoas tem um adenoma da hipófise.

A abordagem da patologia hipofisária é, mais uma vez, multidisciplinar, envolvendo especialidades como a Endocrinologia, a Neurocirurgia, a Radioterapia, a Anatomia Patológica, a Oftalmologia e a Patologia Clínica. A CUF tem o privilégio de contar com a colaboração de especialistas, nas diferentes valências, com reconhecido mérito nesta área. Na nossa reunião, abordaremos os problemas associados ao diagnóstico na patologia da hipófise e dinamizaremos uma discussão multidisciplinar, centrada em casos clínicos.

NF | O programa integra também o tema da obesidade, de um ponto de vista multidisciplinar. O que tem a destacar deste tema que será falado?

AG | A obesidade é uma doença crónica, que constitui um problema de saúde pública de extrema importância. A prevalência da obesidade em Portugal, entre os 25 e os 74 anos, é de 28,7 % e dois terços da população portuguesa, nesta faixa etária, tem excesso de peso. A obesidade está associada a um risco acrescido de vir a sofrer de várias patologias de que são exemplo a diabetes tipo 2, as doenças cardiovasculares e vários tipos de cancro, condicionando uma redução significativa da esperança de vida. Trata-se de uma doença complexa, de etiopatogenia multifatorial, que carece de uma abordagem eminentemente multidisciplinar. Também nesta sessão procurámos dinamizar um encontro de especialistas de diferentes áreas que, em conjunto, tendo a prestação de cuidados ao doente como ser individual no centro das atenções, procurarão abordar alguns temas relacionados com a etiopatogenia, o tratamento e as comorbilidades da obesidade, à luz do conhecimento mais recente.

NF | Por fim, entramos em dois temas que fogem, pelo menos diretamente, do panorama científico, que é a Comunicação e o Direito em Saúde. Qual a importância de trazer à discussão estes dois temas e o que podem os participantes esperar desta abordagem?

AG | São dois temas centrais para quem tem atividade clínica. A qualidade da comunicação, mesmo que nos cinjamos ao ambiente “relação médico – doente”, para uma especialidade como a Endocrinologia, vocacionada sobretudo para a gestão da doença crónica, é determinante para a obtenção de ganhos em saúde. Por outro lado, a atividade clínica do dia-a-dia coloca-nos, constantemente, uma série de questões do foro ético e médico-legal. Estes temas adquirem novas nuances, numa época em que o digital passou a fazer parte integrante das nossas vidas. Considerámos, por isso, fundamental a existência de um espaço dedicado à discussão destes temas, na nossa reunião.

NF | O CUF Endocrine Crosstalks aposta também no reconhecimento de trabalhos científicos, através da avaliação de e-posters. O que é esperado dos projetos que decidam concorrer e de que forma funcionará o processo de seleção dos três melhores que serão premiados nesta edição?

AG | Temos a expectativa que sejam apresentados trabalhos que se constituam como motivo de reflexão e que contribuam para o processo de melhoria da nossa atividade clínica que é, ao fim e ao cabo, o nosso objetivo final. Os trabalhos serão objeto de avaliação por um júri composto por elementos da Comissão Organizadora.

O evento conta com apoio científico da ordem dos Médicos e de várias sociedades, nomeadamente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM); Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO); Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia (SPN); Sociedade Portuguesa de Cirurgia (SPC); Sociedade Portuguesa de Anatomia Patológica (SPAP); Sociedade Europeia de Endocrinologia.

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