“A Bolsa CUF D. Manuel de Mello é uma das grandes oportunidades que temos no nosso país”

22/09/23
“A Bolsa CUF D. Manuel de Mello é uma das grandes oportunidades que temos no nosso país”

Neste momento em que decorre o processo de candidaturas para a Bolsa CUF D. Manuel de Mello – o maior prémio nacional de incentivo a jovens médicos investigadores – o Dr. Tiago Gil Oliveira, investigador que venceu a edição passada, partilha com a News Farma o contributo que este prémio está a ter para o desenvolvimento do seu projeto.

O Dr. Tiago Gil Oliveira, investigador na Escola de Medicina da Universidade do Minho, foi o vencedor da edição de 2022, com o projeto de investigação “Determinantes da neuropatologia da doença de Alzheimer em ressonância magnética cerebral”, que pretende identificar novos métodos ao nível da ressonância magnética para um diagnóstico mais preciso da doença, comparativamente com outras doenças neurodegenerativas.

O processo de candidaturas para a edição de 2023 da Bolsa CUF D. Manuel de Mello está aberto até dia 29 de setembro de 2023, com o propósito premiar, no valor de 100 mil euros, um jovem médico no desenvolvimento de um projecto de investigação clínica.

News Farma (NF) | De que forma a atribuição da Bolsa D. Manuel de Mello tornou possível o desenvolvimento do projeto?

Dr. Tiago Gil Oliveira (TO) | Neste projeto estamos a estudar assinaturas imagiológicas cerebrais por ressonância magnética de casos confirmados com doença de Alzheimer, que é a patologia neurodegenerativa mais prevalente a nível mundial e que se caracteriza por degeneração de regiões cerebrais essenciais para várias funções cognitivas, como por exemplo a memória. Esta bolsa e o seu financiamento permite-nos ter elementos da nossa equipa dedicados a estudar quais são as regiões do cérebro que são mais susceptíveis ou resistentes às acumulações proteicas patológicas características da doença de Alzheimer.

NF | Que importância revê neste tipo de incentivo à investigação clínica?

TO | A carreira de médico-cientista em Portugal ainda não está estruturada. Por exemplo, na grande maioria das instituições universitárias ou hospitalares, não há qualquer tipo de proteção de tempo para investigação. Noutros países, como nos Estados Unidos, há imensos apoios de financiamento para que médicos façam investigação. Neste contexto, a Bolsa CUF D. Manuel de Mello é uma das grandes oportunidades que temos no nosso país para conseguir ter apoio e tem sido uma grande motivação para mim e para a minha equipa para continuarmos a investigar o funcionamento e a disfunção do cérebro em contexto de doenças neurodegenerativas. Para o futuro acredito que este exemplo, que a Bolsa D. Manuel de Mello representa, seja seguido por outras instituições e que se valorizem os médicos que fazem ciência em paralelo com a atividade clínica, porque certamente serão médicos que vão tratar melhor os nossos doentes.

NF | Em que fase está o seu projeto?

TO | Este é um projeto que beneficia de uma colaboração com instituições internacionais, como o Mount Sinai Hospital em Nova Iorque ou a University of Washington em Seattle. Nesta fase já recolhemos e processámos os dados imagiológicos cerebrais que precisamos para o nosso estudo e que posteriormente serão integrados com a informação neuropatológica fornecida referente aos pacientes com a doença de Alzheimer. Estamos também entusiasmados porque já apresentámos algumas das nossas observações iniciais à comunidade científica e esperamos em breve poder publicar os nossos primeiros resultados.

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