“Numa perspetiva multidisciplinar e internacional, procuramos dar resposta a problemas não atendidos de patologias atuais”

24/11/23
“Numa perspetiva multidisciplinar e internacional, procuramos dar resposta a problemas não atendidos de patologias atuais”

A Prof.ª Doutora Mariana Monteiro, coordenadora da Unidade Multidisciplinar de Investigação Biomédica (UMIB) da Universidade do Porto, conversou com a News Farma sobre o UMIB Summit 2023, que decorre já esta quarta-feira, 29 de novembro, no Salão Nobre do ICBAS/FFUP. O evento conta com temas que são “transversais a muitas áreas da Medicina, pensada para reunir os investigadores da UMIB e aberta à comunidade científica”.

News Farma (NF) | Em nota introdutória do evento lê-se que vão estar reunidos “investigadores de renome nacionais e internacionais da UMIB e de outras instituições dedicados a abordar os desafios modernos da Medicina e da saúde humana numa perspetiva multidisciplinar e translacional para um encontro verdadeiramente interativo”. Em que medida as sessões vão refletir esses objetivos?

Prof.ª Doutora Mariana Monteiro (MM) | A missão da UMIB passa por nos dedicarmos à investigação dos desafios atuais da Medicina clínica. Numa perspetiva multidisciplinar e translacional, tentamos dar resposta a problemas não atendidos de patologias muito prevalentes ou raras que causam uma grande morbilidade, que pela complexidade de atingirem vários sistemas exigem contribuições de diferentes especialidades.

À semelhança das Unidades que são reconhecidas dentro da rede de infraestrutura das Unidades de Investigação e Desenvolvimento Nacionais, estamos a chegar ao final de mais um ciclo, daí fazer sentido a organização do UMIB Summit. Já tivemos um UMIB Summit no final do anterior do projeto plurianual e o final deste novo ciclo é para nós uma oportunidade de fazer um ponto de situação do que fizemos até agora e para onde é que é necessário caminhar no futuro, no sentido de continuar a contribuir para o desenvolvimento. Por isso, queremos ter aqui reunidos os nossos colaboradores externos, e os nossos investigadores, os séniores e os rising stars. Cada um dos simpósios conta com um colaborador internacional, que é um perito reconhecido na sua área e, portanto, cada sessão tem esta tipologia um investigador internacional, com o qual colaboramos e com a quem temos interesses comuns, e dois investigadores da UMIB, um sénior e um junior, e é deste modo que esperamos poder contribuir em rede para o progresso do conhecimento nessa área.

Temos um conjunto de três grandes simpósios com tempo considerável para a interação após as apresentações, assim como tempo protegido para interação entre os simpósios. Portanto, não temos sessões paralelas, todas as sessões serão plenárias, com um painel, transversal com investigadores em diferentes fases de evolução da carreira, para apresentar diferentes perspetivas sobre uma mesma temática, de interesse para os investigadores da UMIB, mas aberta aos médicos e investigadores das imediações, quer do território da Universidade do Porto que desejem participar e até, de outras instituições que desejem vir a juntar-se à nossa Unidade ou a constituir-se colaboradores. 

NF | As sessões da UMIB Summit serão organizadas em três simpósios principais: “Complex diseases: Multifactorial interactions”, “Mechanisms of disease and predictive markers” e “Human biological sample databases”. De que necessidade surgiu a organização de um evento dedicado a temas como estes?

MM | Estes temas são muito transversais a muitas áreas da Medicina. O nosso objetivo foi exatamente esse. Ou seja, nós constituímos três simpósios major que, neste Summit, têm contributos de pessoas que estão organizadas em diferentes grupos de investigação, desde a área Genética às Neurociências, mas que têm o seu know-how dedicado a uma doença complexa que é comum e que procura soluções para um problema que, no fundo, necessita de conhecimentos transversais a diferentes áreas. Nas sessões vamos juntar especialidades diferentes, como a Cardiologia ou a Neurologia, porque estamos a falar de doenças complexas que, no fundo, vão necessitar de diferentes abordagens e expertises, porque atingem vários aparelhos e sistemas. Esperamos com estas visões chegarmos a uma perspetiva que, do ponto de vista da abordagem da doença, quer seja nos mecanismos de doença, ou de potenciais alvos terapêuticos, nos possam levar mais longe. 

NF | O evento vai contar ainda com uma conferência plenária sobre “Genetic and Molecular Biobanking”. Em que vai consistir esta sessão?

MM | Neste momento, vivemos numa Era em que estamos a aprender a gerir um grande volume de informação, a aprender a utilizá-la e para que se possa tirar o melhor partido dela. Então, o acontecia nas últimas décadas até à atualidade era que os investigadores que se dedicavam a determinadas patologias, ao longo de todo o seu trajeto de investigação, acabavam por acumular uma série de coleções privadas de amostras genéticas e moleculares muito valiosas em volume de informação, com potencial de serem úteis a uma comunidade mais alargada, quer dentro da Unidade, quer dentro da instituição, quer dentro da universidade, país e, até, do mundo.

Portanto, a necessidade de pensarmos numa estrutura macro, ou seja, colocar esses recursos ao serviço da Humanidade e que também possamos utilizar um determinado recurso quando tivermos essa necessidade, é uma realidade que já todos consideramos inquestionável. Por este motivo, faz parte do plano estratégico da Unidade vir a constituir um biobanco genético e molecular que, do ponto de vista estrutural, poderá vir a ser em desenvolvido em parceria com outras instituições, mas, no fundo, é a necessidade que nós sentimos de expandir e colocar ao serviço também da Humanidade estes recursos que vão sendo acumulados e que necessitam de uma visão mais abrangente. E então, na área da genética, é uma área que tem estado a expandir de uma maneira exponencial. Esta conferência vai ser proferida pela Prof.ª Carolina Lemos que, neste momento, é a mais recente investigadora sénior que se juntou à Unidade com o grupo dedicado à genética e epigenética, epidemiológica e populacional, que vem de um background em que isto é particularmente importante e com quem nós esperamos que, em conjunto com outros recursos já existentes dentro da Unidade, possamos dar o salto para o que virá a seguir. E, por isso, é exatamente assim que vamos encerrar o evento com esta conferência plenária, muito voltada para o que foi feito até agora e o que esperamos fazer no futuro para dar um passo em frente. 

NF | Que apelo gostaria de fazer para a participação dos colegas no UMIB Summit?

MM | O UMIB Summit foi uma reunião pensada para reunir os investigadores da UMIB, mas aberta à comunidade onde estamos inseridos que, no fundo, é o mundo. Começa por ser a nossa rua, a nossa cidade, o nosso país e a aldeia global em que nos tornamos. Temos uma abordagem diferente e onde todos os expertises são bem-vindos. Portanto, convidamos quem se veja refletido nesta visão a participar e inscrever-se para estar presente no UMIB Summit.

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