News Farma (NF) | Sendo esta a primeira edição do evento, qual o balanço que faz?
Dr. Jorge Pereira (JP) | O balanço desta primeira edição do evento é extremamente positivo. Para avaliarmos o sucesso deste tipo de evento, é crucial considerar o número de participantes, e nesse aspeto, estamos muito satisfeitos com a afluência em ambos os dias. Surpreendentemente, superou as nossas expectativas, especialmente considerando que somos um hospital periférico, embora classificado como central. É importante notar que durante esse fim de semana, ocorreram vários eventos na área da Cirurgia Geral em todo o país, o que torna a nossa conquista ainda mais notável.
Além da afluência, a qualidade científica também é uma métrica crucial. Observamos que as apresentações mantiveram o interesse da audiência ao longo do dia, o que é um indicador positivo. Acreditamos que os temas escolhidos foram pertinentes, e as apresentações foram de elevada qualidade, mantendo-se atualizadas e relevantes. A presença de moderadores de outras instituições não apenas elevou a qualidade do evento, mas também proporcionou uma avaliação externa, a qual foi extremamente satisfatória.
Em resumo, consideramos esta primeira edição como um sucesso em termos de participação, qualidade científica e relevância temática. Estamos entusiasmados com o impacto positivo que o evento teve e esperamos construir e expandir sobre esse sucesso em futuras edições.
NF | Focado na cirurgia e nos cuidados críticos, de que necessidade surgiu a ideia de organizar este Encontro?
JP | A ideia de organizar este encontro surgiu principalmente de duas necessidades fundamentais. Primeiramente, a motivação surgiu da vontade de realizar uma avaliação abrangente dos 16 anos de atividade da nossa unidade de cuidados intermédios, tanto do ponto de vista médico quanto de Enfermagem. Embora o evento não tenha coincidido com um aniversário redondo devido à interferência da pandemia, inicialmente planeámos realizá-lo no 15.º aniversário. Este balanço era crucial para refletir sobre as melhorias alcançadas com a existência desta Unidade e identificar áreas para aprimoramento no futuro. A criação desta Unidade representou um avanço significativo em termos de qualidade de cuidados e segurança clínica, e esta análise retrospetiva foi uma oportunidade valiosa para avaliar o seu impacto.
O segundo impulso surgiu como parte de um plano mais amplo de exposição e divulgação do Serviço de Cirurgia Geral no cenário científico nacional no ensino pós-graduado (médico e de Enfermagem). Apesar de sermos um serviço de Cirurgia Geral de um hospital essencialmente assistencial, a nossa produção científica em artigos e apresentações em congressos, tanto nacionais quanto estrangeiros, não é negligenciável. Além disso, somos responsáveis pela realização de diversos cursos de formação médica, desde o ATLS® até ao CCrISP®, e mantemos uma presença destacada nas direções de várias sociedades científicas, incluindo membros fundadores e da direção do Colégio de Cirurgia Geral da Ordem dos Médicos. A reputação que conquistamos no panorama da Cirurgia Geral nacional permite-nos participar frequentemente em congressos e reuniões como membros de mesas ou oradores.
Acreditamos que Viseu tem potencial para se tornar um polo de atração para a formação pós-graduada de forma mais consistente, por meio da realização de eventos nacionais mais abrangentes. Portanto, este encontro foi concebido não apenas como uma oportunidade de avaliação interna, mas também como um meio de consolidar a nossa presença no cenário científico nacional e atrair profissionais interessados em formação pós-graduada para a região.
NF | O evento assinalou também os 16 anos da UMDC. Atualmente, que papel é o desta Unidade no acompanhamento dos doentes que passam pelos cuidados médico-cirúrgicos?
JP | O papel da UMDC é de vital importância na prestação de cuidados médico-cirúrgicos diferenciados. Sem a existência desta Unidade, seria impossível atender doentes que requerem um nível elevado de diferenciação nos cuidados. Isso reflete-se de diversas formas na atividade do Serviço, evidenciando um crescimento progressivo na diferenciação e complexidade das intervenções cirúrgicas realizadas. Além disso, tem implicações significativas na gestão hospitalar, como na redução da taxa de internamento desses mesmos doentes em Unidades de Cuidados Intensivos, conhecidas mais vulgarmente como UCIP.
A UMDC desempenha um papel crucial não apenas na elevação da qualidade dos cuidados prestados, mas também na diferenciação técnica e científica. Ela ocupa um espaço intermediário entre as enfermarias e as UCIP, preenchendo uma lacuna que não existia anteriormente. Essa posição estratégica permite a redução da taxa de complicações e mortalidade, ao mesmo tempo que permite gerir a ocupação de leitos nas UCIP de forma mais eficiente.
Em resumo, a UMDC desempenha um papel essencial no panorama dos cuidados médico-cirúrgicos, contribuindo significativamente para a qualidade, diferenciação e eficiência na gestão de casos complexos.
NF | Enquanto diretor do Serviço de Cirurgia Geral do CHTV, quais são as principais highlights deste Encontro, nomeadamente ao nível dos cuidados prestados pela Cirurgia?
JP | Como diretor do Serviço de Cirurgia Geral do CHTV, considero que este Encontro foi marcado por importantes destaques, especialmente no que diz respeito aos cuidados prestados pelo Serviço. Conseguimos destacar que a UMDC desempenhou um papel crucial na progressão técnica e científica do serviço. Ficou evidente que o Serviço mantém uma qualidade de cuidados elevada e consolidada, respaldada por uma equipa coesa de profissionais motivados e preparados para oferecer um desempenho de elevada performance. Este evento foi uma oportunidade valiosa para demonstrar o compromisso contínuo do Serviço de Cirurgia Geral com a excelência, inovação e melhoria constantes na prestação de cuidados aos nossos doentes.
NF | No que concerne aos workshops, em que medida, na qualidade de membro da comissão científica, procuraram que fosse um momento de aprendizagem pelos colegas?
JP | No que diz respeito aos workshops, a nossa abordagem foi orientada para tornar este momento uma oportunidade significativa de aprendizagem para os colegas participantes. Buscamos inovação não no sentido de apresentar conceitos totalmente novos, mas sim de explorar técnicas já consolidadas e valiosas, porém pouco difundidas entre as diferentes classes de participantes.
Destacamos um curso de Pequena Cirurgia que envolveu Internos de Ano Comum e alunos de Medicina, proporcionando uma experiência prática e educativa. Além disso, organizamos um workshop sobre estomias destinado a enfermeiros, visando aprofundar conhecimentos e promover a troca de experiências nesta área específica. Também realizamos um curso de cateterização venosa central, com o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Cirurgia (SPC) e organizado pelo capítulo de Cirurgia Vascular desta sociedade. Este curso representou uma oportunidade valiosa para adquirir competências nesta área da prática médica.
Em resumo, o objetivo dos workshops foi proporcionar uma abordagem inovadora no ensino de técnicas consolidadas, promovendo a partilha de conhecimento e experiências entre os participantes de diferentes áreas profissionais.
NF | Quais são as principais mensagens que ficam do Simpósio Médico: Cirurgia de Cuidados Agudos?
JP | Além das mensagens anteriormente mencionadas, relacionadas com a importância da existência de Unidades de Cuidados Intermédios cirúrgicos e a busca contínua pela melhoria da qualidade dos cuidados, algumas conclusões importantes emergiram do Simpósio Médico "Cirurgia de Cuidados Agudos". Ficou evidente que é possível organizar eventos dessa natureza com os recursos já existentes no nosso Serviço e neste Hospital. Esta constatação reforça a capacidade da instituição em promover atividades científicas relevantes, mesmo com recursos limitados.
Além disso, foi destacada a prontidão para repetir este tipo de evento, ressaltando a importância da partilha de conhecimentos e da abordagem multidisciplinar. A ênfase na colaboração entre diferentes profissionais e áreas de especialização destaca a importância de uma abordagem integrada na promoção da excelência nos Cuidados de Saúde e na realização de eventos científicos. Este Simpósio não apenas sublinhou a importância da UMDC, mas também fortaleceu a noção de que a partilha de conhecimento e a colaboração interdisciplinar são fundamentais para avanços significativos na área da Cirurgia de Cuidados Agudos.
NF | Que temas ainda gostaria de trazer a uma próxima edição do Encontro?
JP | A definição dos temas para uma próxima edição do Encontro ainda está em estudo. O objetivo é garantir que a temática escolhida seja atual e esteja em linha com os avanços mais recentes na área médica. Dado que a evolução do conhecimento médico tem sido rápida, há a compreensão de que muitas novidades podem surgir até lá. A incerteza do amanhã desafia-nos a permanecer atentos às mudanças e avanços na área da saúde, de modo a proporcionar um evento enriquecedor e relevante para os participantes. Vamos aguardar para ver o que o futuro nos reserva nesse contexto.


