Nos últimos tempos, grupos de investigação dedicaram-se a estratificar os astrócitos em dois grandes tipos: protetor ou tóxico. A declaração de consenso agora assinada deixa cair esta dicotomia, passando a investigação a centrar-se nestas células de forma mais abrangente olhando para a estatística de forma multivariada.
Para o Prof. Doutor João Oliveira, “em termos práticos, a investigação fundamental e clínica vai ser beneficiada”. “Vamos conseguir perceber melhor o papel destas células, que podem ser boas numa primeira etapa e más na progressão da doença, ou vice-versa, em cada fase de doenças como o parkinson, alzheimer ou depressão.”
“A partir deste momento não vamos andar à procura de apenas dois estados, porque não é assim tão simples e, se simplificarmos, podemos perder muita coisa no meio. Vamos olhar para o astrócito como uma célula muito dinâmica que pode desempenhar vários papéis no decorrer de cada uma das doenças em que pode estar envolvida. Ao sair da visão dicotómica, vamos ter uma visão mais alargada para conseguirmos perceber melhor esse papel”, conclui o investigador.
Os astrócitos são células extremamente ramificadas e essa estrutura altera-se ligeiramente em condições normais, mas sobretudo em contexto de doença. Um dos padrões mais clássicos destas células é quando há um surto, os seus “braços” engrossam e estendem-se mais, a chamada reatividade morfológica. Esta reatividade morfológica é acompanhada pela libertação de uma série de moléculas que vão sinalizar que algo se passa. Os astrócitos vão receber sinais a dizer “está aqui alguma coisa estranha a acontecer”, e vão emitir sinais às células vizinhas a dizer “ataca” para tentar resolver o problema.


