A especialista confirma que existe tratamento para vários distúrbios da tiroide, sendo o hipotiroidismo o mais frequente; se tratado atempadamente, evita “que existam manifestações mais severas deste distúrbio, como o aumento da pressão arterial, perturbação da função cardíaca, da função digestiva. Portanto, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, tanto melhor”.
Já nos casos de hipertiroidismo, o diagnóstico é mais fácil, por se tratar de “uma situação de grande agitação, perda de peso sem causa aparente, taquicardia, hipersudorese”, faz notar a endocrinologista.
Não existem números concretos referentes aos problemas de tiroide em Portugal, mas estima-se que “cerca de 5% da população talvez possa ter alguma forma de disfunção, nomeadamente hipotiroidismo ou hipotiroidismo subclínico”, frisa a Dr.ª Maria João Oliveira. Nestes casos, são as mulheres com mais idade, geralmente a partir dos 50 anos, as mais afetadas, sendo o hipertiroidismo mais frequente entre a 2.ª e a 4.ª década de vida.
Em tempos de pandemia, a médica destaca que, tal como se verificou com muitas outras doenças, também aqui se atrasaram os diagnósticos. Isto porque, segundo a médica, “as pessoas tinham medo de ir ao médico”. “Existem muitos mais casos de hipertiroidismo após infeção por COVID-19. Não sabemos, ainda, se essa infeção pode privilegiar a disfunção da tiroide, designadamente hipertiroidismo, mas é um facto que existem alguns casos de tiroidite pós-infeção COVID-19”, realça.
Estar atenta aos sintomas é o principal conselho, ao qual se junta, para quem já tem o diagnóstico, a manutenção da medicação. “As mulheres não devem ter receio de realizar os seus exames habituais, de rotina e de seguimento. E devem, também, recorrer ao médico quando necessário”, conclui a Dr.ª Maria João Oliveira.


