"Pelos doentes, continuaremos a investigar e a desenvolver novas soluções terapêuticas"

12/04/21
"Pelos doentes, continuaremos a investigar e a desenvolver novas soluções terapêuticas"

No âmbito da conferência "Ciência & Inovação no Combate ao Cancro: as pessoas por trás dos números"?, da GSK em parceria com o Expresso, o Dr. Massimiliano Di Domenico, vice-presidente europeu de Comunicação, Assuntos Governamentais e Acesso ao Mercado da GSK, abordou os principais desafios e ameaças ao aumento do número de casos do cancro, sem esquecer o impacto da COVID-19. Em entrevista à News Farma, o Dr. Domenico retrata a realidade de Portugal e do mundo, já que o cancro é a segunda causa de morte nos países da União Europeia.

News Farma (NF) | Quais os objetivos da realização desta conferência "Ciência & Inovação no Combate ao Cancro: as pessoas por trás dos números"?

Dr. Massimiliano Di Domenico (MD) | A Conferência “A Ciência & Inovação no Combate ao Cancro: as pessoas por trás dos números”, uma parceria GSK e Expresso, surge na sequência da “Declaration on effective cancer research Europe”, do Plano Europeu de Combate ao Cancro (PECC) e enquadrada na Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, uma vez que o momento atual representa uma oportunidade importante para realçar a importância da investigação científica e da inovação médica como pilares essenciais para responder às metas definidas no PECC, de salvar mais de três milhões de vidas nos próximos 10 anos.

O principal objetivo é fomentar a partilha de experiências e perspetivas e, para isso, pretendemos reunir especialistas de diferentes áreas, para abordar e debater as necessidades não atendidas na área do cancro, cuja procura de respostas constitui o motor da investigação que impele a ciência a avançar. Assim, importa compreender de que modo é que a investigação está a ser desenvolvida e onde se posiciona Portugal nesse percurso, para ir ao encontro das necessidades dos doentes, e qual o papel que estes podem desempenhar na procura e desenvolvimento de novas abordagens.

A GSK, enquanto biofarmacêutica de inovação comprometida com o avanço na investigação e na ciência para não deixar nenhuma pessoa com cancro para trás, procura com esta conferência centrar o debate sobre a importância da inovação científica enquanto fator crítico de sucesso para alcançar as metas previstas no Plano Europeu de Combate ao Cancro, nomeadamente, no que diz respeito às maiores necessidades por satisfazer.

NF | Considera que, não obstante a pandemia continuar a ser a preocupação número um da Europa nos dias que correm, a Oncologia é uma prioridade das autoridades e responsáveis europeus e dos estados-membros?

MD | A Oncologia é uma das principais prioridades da Comissão Europeia no domínio da saúde. O cancro é a segunda causa de morte nos países da União Europeia e cerca de quatro milhões de pessoas foram diagnosticadas com cancro na Europa em 2020, segundo a Globocan, sendo que perto de dois milhões perderam a vida devido à doença. Considerando que a Europa tem um quarto de todos os casos de cancro e menos de 10 % da população mundial, é evidente que o cancro representa uma enorme ameaça para a nossa sociedade.

Efetivamente, sem medidas concretas, estima-se que os casos de doença oncológica aumentem cerca de 25% até 2035, tornando-se a principal causa de morte na UE, segundo informação publicada no Plano Europeu de Combate ao Cancro. Adicionalmente, o impacto económico global do cancro na Europa é estimado em 100 mil milhões de euros por ano.

Esta doença exerce pressão sobre os sistemas nacionais de saúde e de proteção social, bem como sobre os orçamentos públicos, afetando a produtividade e o crescimento da economia. Por conseguinte, precisamos de sistemas de saúde mais resilientes. Em particular, é necessário apoiar os Estados-Membros que mais necessitam de estratégias baseadas em dados concretos, a fim de garantir que todos os cidadãos da UE usufruem de igualdade de acesso em matéria de prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidados de acompanhamento de elevada qualidade no domínio do cancro.

NF | Acreditam que a pandemia é uma ameaça ao maior investimento e atenção à área oncológica?

MD | De facto, a pandemia está a ter um enorme impacto na vida das pessoas com cancro em toda a Europa. A COVID-19 está a impactar negativamente todos os apectos, com atrasos nos diagnósticos, consultas adiadas, cirurgias canceladas e interrupções dos tratamento, além de atrasos na vacinação e dificuldades no acesso aos medicamentos.

São vidas de pessoas que estão em jogo e é importante termos presente que, no caso das doenças oncológicas, o tempo é um dos principais fatores críticos de sucesso. Assim, compete a todos os stakeholders desenvolver e implementar soluções holísticas e integradas que coloquem as pessoas com cancro no centro do sistema e que não são esquecida ou deixadas para trás em tempos de pandemia.

NF | Além da pandemia, que outras ameaças ou desafios se colocam nesta ára em concreto?

MD | Os fatores demográficos, como o envelhecimento da população, são uma realidade a ter em conta. De facto, se por um lado é excelente estarmos a assistir a um aumento da esperança de vida, por outro lado, queremos que esse aumento da esperança de vida seja acompanhado de qualidade de vida, ou seja, que as pessoas vivam mais e melhores anos. Ora sabemos que existe uma correlação entre a idade e o aumento de casos de doenças oncológicas, pelo que é importante dar a devida atenção a essa questão sociodemográfica, que acba por ter um impacto económico importante nos países e sistemas de saúde.

De acordo com os especialistas, os países europeus deveriam investir entre 4 e 7% do seu orçamento para a saúde em medidas específicas para a oncologia. No entanto, o que se verifica é que estamos a assistir a um aumento da incidência oncológica e o investimento dos estados-membros, em média, permanece o mesmo.

Paralelamente, registamos – e ainda bem! – avanços significativos da ciência e da inovação médica que, em alguns casos, estão a conseguir uma evoluação de algumas doenças oncológicas para condições crónicas de saúde, o que traz novos desafios para os doentes e sistemas de saúde, nomeadamente, no que diz respeito ao acesso atempado dos doentes.

NF | A questão do acesso é, então, uma necessidade prioritária?

MD | Naturalmente que sim. De acordo com dados apresentados na recente conferência da APIFARMA / EFPIA “Inovação em Saúde: Não deixar ninguém para trás”, o tempo médio de espera entre a autorização de introdução no mercado e o acesso dos doentes pode ter grandes variações chegando a ter diferenças superiores 700%. Para doentes no Norte / Oeste da Europa o acesso a medicamentos inovadores demora entre 100 a 350 dias após a autorização de introdução no mercado, enquanto no Sul / Leste da Europa o tempo de espera pode chegar aos 850 dias.

No que diz respeito à área oncológica, especificamente, de acordo com o relatório WAIT 2019, o tempo de acesso das pessoas à inovação terapêutica pode variar entre 86 e 1000 dias, dependendo do país da Europa. Essa demora tem um impacto muito negativo: maior mortalidade e maior número de mortes evitáveis; menor qualidade de vida para os doentes; custos de saúde que poderiam ser evitados; perda de produtividade, com custos para a economia.

Este pode e deve ser o momento de promover uma cooperação aberta e transparente entre todos os stakeholders, oferecendo estabilidade e previsibilidade e aumentando os ganhos para a saúde dos cidadãos da Europa. É importante garantir o acesso equitativo e justo da inovação a todas pessoas, independentemente do país em que habitam, para promover melhores resultados de saúde para os nossos cidadãos e o desenvolvimento social e económico. É, por isso, premente harmonizar este período de avaliação e de disponibilização, garantindo a equidade no acesso à inovação dentro do Espaço Europeu.

NF | Para finalizar e de acordo com uma das mensagens-chave desta conferência, em que medida é importante dar a conhecer “as pessoas por trás dos números”?

MD | De acordo com a Globocan, cerca de quatro milhões de pessoas na Europa receberam um diagnóstico de cancro em 2020 e perto de dois milhões perderam a vida devido a esta doença. Em Portugal, o cancro é a patologia com a maior carga de doença, sendo a principal causa de morte antes dos 70 anos e a segunda em termos globais.

Estes são números que demonstram e sustentam a necessidade de atuar para responder a estas necessidades médicas, mas em que faltam os rostos e as vozes por trás destes números. São estes rostos e estas vozes que importa dar visibilidade e contar a realidade das suas vidas. É isso que procuramos com esta conferência, em que vamos poder assistir a testemunhos emocionantes e inspiradores de pessoas como nós, que podem ser nossos familiares, colegas e amigos, que em determinado momento da sua vida se cruzaram com um diagnóstico de cancro do ovário, mieloma múltiplo ou cancro do endométrio, por exemplo.

NF | O que está a fazer a GSK para responder às necessidades dessas pessoas?

MD | A GSK é uma biofarmacêutica de inovação focada em maximizar a sobrevivência das pessoas que vivem com cancro, independentemente da prevalência da sua doença oncológica, através do desenvolvimento de medicamentos transformadores. Acreditamos em tornar a cura uma possibilidade para todos e, para isso, a pessoa com cancro está no centro da nossa atividade e são uma parte vital de nossa pesquisa e desenvolvimento.

Pelos doentes, continuaremos a investigar e a desenvolver novas soluções terapêuticas e tudo faremos para sensibilizar as autoridades e todos os atores do sistema para maximizar o acesso a medicamentos inovadores que permitem melhorar e prolongar a vida dos doentes oncológicos. Em parceria, construimos programas de oncologia para responder às suas necessidades.

Este é o nosso compromisso e, para que seja cumprido, o apoio e talento dos nossos profissionais e trabalho em conjunto com as autoridades e profissionais de saúde, aspetos adjacentes às nossas três prioridades – inovação, performance e confiança –  desempenham um papel de extrema relevância no que toca à nossa resposta a estes desafios.

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