Cancros ginecológicos: "É essencial que as mulheres estejam atentas ao seu corpo"

12/04/21
Cancros ginecológicos: "É essencial que as mulheres estejam atentas ao seu corpo"

"É essencial que as mulheres estejam atentas ao seu corpo e o oiçam bem porque o cancro não espera em casa", alerta a presidente do Movimento Cancro do Ovário e outros Cancros Ginecológicos (MOG), Dr.ª Cláudia Fraga. Março foi o mês em que se assinalou o Dia Internacional da Mulher e, neste âmbito, a News Farma esteve à conversa com a responsável do MOG sobre a importância do diagnóstico precoce nas doenças oncológicas do foro ginecológico. Assista ao vídeo.

O essencial, começa por explicar a Dr.ª Cláudia Fraga, é que as mulheres "não deixem de ir nunca aos ginecologistas", para que possa haver "diagnósticos precoces".

Dentro das doenças oncológicas ginecológicas, a presidente refere-se ao cancro do ovário como a principal, no que toca ao impacto na qualidade de vida e esperança de sobrevivência. Isto porque "é o mais silencioso e, muitas vezes, chega a estadios muito avançados; quando há sintomas já é tarde demais, ou há sintomas e as mulheres não vão, mesmo assim, saber o que se passa e depois já são apanhados muito tarde".

E acrescenta: "O essencial é apanhar todos os cancros o mais precocemente possível porque quando é apanhado inicialmente pode haver cura, quando o estadio já é avançado pode haver metástases pelo corpo inteiro já espalhadas e, então, a cura não será efetiva, mas paliativa".

A pandemia por COVID-19 foi, e está a ainda a ser, um dos principais desafios no que se refere a estas doenças, pois "neste momento, não se fazem diagnósticos, não se fazem exames, portanto está tudo parado", frisa a Dr.ª Cláudia Fraga.

"Estou convencida de que há muitas mulheres a morrerem de cancros ginecológicos sem saberem porque nem são diagnosticadas, não vão a tempo disso porque há muitos receios de ir ao hospital e ao médico; portanto, muitas vezes, a mulher vai deixando e quando vai já pode ser tarde demais. Não há problema nenhum de ir aos hospitais para fazer os diagnósticos, rastreios e consultas", sustenta.

Numa mensagem final, a Dr.ª Cláudia Fraga apela a que "os médicos de família estejam alertados para este tipo de situações, pois, muitas vezes, não valorizam os sintomas que as mulheres lhes dizem, e perde-se muito tempo até irem a uma consulta especializada". 

"É essencial que haja uma boa literacia a nível dos cancros ginecológicos porque é muito baixa – há estudos sobre isso. As pessoas não sabem os sintomas e a sua existência, inclusivamente, nem da vacina do papilomavírus humano que já pode ser dada às raparigas. Ainda há uma grande falta de conhecimento a todos os níveis. Portanto, temos de ir dando informação, quanto mais melhor para toda a população", conclui.

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