Os principais objetivos foram avaliar o consumo de sal numa comunidade escolar e estudar o trabalho num jardim de aromas na diminuição do consumo de sal, no decurso de um ano letivo. "Não há estudos em Portugal sobre o consumo de sal em alunos destas idades. Foi um estudo pioneiro na avaliação de uma intervenção ativa na redução do consumo de sal. Toda a comunidade médica sabe que a diminuição do consumo de sal pode prevenir a hipertensão que é um dos principais fatores de risco de doença cardiovascular", refere Jorge Cotter, Diretor de Serviço de Medicina Interna e um dos coordenadores do estudo.
Nove turmas do 5º e 6º ano de escolaridade foram envolvidas, assim como os professores e os encarregados de educação. A avaliação incluiu a medição da pressão arterial, o índice de massa corporal e a determinação da excreção de sódio na urina de 24 horas.
As conclusões foram que o consumo de sal nos alunos está bem acima do recomendado. Ainda que o trabalho no jardim de aromas (os alunos participaram ativamente no cultivo de ervas aromáticas, num espaço da escola, para consumirem em vez do sal) conduziu a uma diminuição clinicamente significativa na ingestão de sal. Finalmente que, a médio prazo, podem ser conseguidos ganhos significativos na morbilidade e mortalidade cardiovascular, como consequência da diminuição da ingestão de sal na população em geral.
Os resultados deste estudo foram recentemente apresentados em Londres, no congresso europeu de hipertensão e risco cardiovascular. Pela sua importância para a comunidade científica, uma das mais prestigiadas publicações mundiais na área de hipertensão (Journal of Hipertension) publica agora o mesmo trabalho na sua edição de outubro de 2013.
No ano letivo 2013/14 será continuada a tarefa com o alargamento às idades compreendidas entre os 10 e os 15 anos, o que significa envolver mais de 800 alunos da referida Escola. "Depois deste estudo inicial, achamos que perante as conclusões se justifica um trabalho em escala maior. A confirmação destes dados pode levar à revisão de alguns critérios pedagógicos escolares, onde a aprendizagem sobre as alternativas à ingestão de sal nestas idades poderão trazer importantes ganhos para a saúde cardiovascular", finaliza Jorge Cotter.
Um estudo realizado pelo Centro de Excelência de Hipertensão e Risco Cardiovascular do Serviço de Medicina Interna do Centro Hospitalar do Alto Ave (CHAA) permitiu concluir que os alunos, com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos, consomem sal em excesso. Em 2010, um total de 155 alunos da Escola EB 2, 3 Prof. João de Meira, em Guimarães, foram incluídos neste estudo. O trabalho foi realizado em parceria entre várias entidades: o CHAA, a Escola de Ciências da Saúde e o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da Universidade do Minho e a Escola João de Meira.

