“A Pediatria tem sido uma acérrima defensora das vacinas”

05/05/21
“A Pediatria tem sido uma acérrima defensora das vacinas”

No âmbito da Semana Europeia da Vacinação, que decorreu de 26 de abril a 2 de maio, a News Farma esteve à conversa com a médica pediatra, coordenadora do Centro da Criança e do Adolescente do Hospital CUF Descobertas, sobre a importância da vacinação em idade pediátrica e o Plano Nacional de Vacinação em Portugal. Leia a entrevista.

News Farma (NF) | Que mensagem deve ser reforçada nesta efeméride? No caso português, qual é e deve ser o papel do Programa Nacional de Vacinação (PNV)?

Prof.ª Doutora Ana Serrão Neto (ASN) | As vacinas são uma das maiores conquistas da medicina do século XX, a par dos antibióticos. Com as vacinas conseguiram-se erradicar do mundo doenças como a varíola, a poliomielite diminuiu drasticamente do mundo, e na Europa não existe. Quanto ao sarampo, estava prevista a sua erradicação, mas a menor taxa de vacinação por influência de movimentos anti vacinas levou a um recrudescimento desta doença.

Em Portugal o PNV tem mais de 50 anos e a taxa de vacinação das crianças é superior a 90%, o que é excelente. Somos um dos países do mundo com melhor cobertura vacinal. Recorde-se que doenças como a rubéola congénita, difteria ou tétano desapareceram de Portugal, com ganhos em saúde enormes. A vacinação universal foi um contributo determinante para a diminuição drástica da mortalidade infantil.

Científica e objetivamente as vacinas são uma mais-valia inquestionável. Esta afirmação é também suportada pelo que se passa atualmente no mundo com a vacina anti COVID-19.

NF | De que forma a vacinação em idade pediátrica foi afetada pela pandemia?

ASN | Claro que durante a pandemia, sobretudo durante o 1.º confinamento, as famílias evitavam sair de casa e frequentar centros de saúde e hospitais. Portanto, houve atrasos nas vacinas, este facto é inegável. Mas, segundo os dados estatísticos disponíveis, não se registou aumento das doenças infeciosas cujos agentes etiológicos estão incluídos nas vacinas. Creio que o atraso da vacinação foi de curta duração porque as campanhas nacionais pró vacinação atingiram o alvo e produziram efeito.

Neste 2.º confinamento não se tem registado atraso significativo na vacinação. No caso do Hospital CUF Descobertas, as consultas de Pediatria e a vacinação diminuíram bastante em março e abril de 2020, mas depois registámos um aumento significativo na administração de vacinas porque, por muitos centros de saúde não estarem a dar resposta, as famílias recorreram mais a este serviço do hospital. As famílias tomaram consciência de que não deviam atrasar a administração das vacinas dos seus filhos.

Assim, o ano de 2020 terminou com um número de vacinas superior a 2019, apesar de se terem realizado menos consultas de Pediatria. É esta a nossa experiência no Hospital CUF Descobertas. Admito que noutras Unidades de Saúde haja experiências diferentes.

Leia a entrevista completa em My Pediatria.

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