Anticorpos monoclonais que atuam na via do CGRP inauguram uma nova era no tratamento da enxaqueca

07/05/21
Anticorpos monoclonais que atuam na via do CGRP inauguram uma nova era no tratamento da enxaqueca

Com um mecanismo de ação “mais específico e dirigido a um alvo terapêutico”, os novos fármacos recentemente aprovados como abordagem profilática da enxaqueca resultam de “uma tecnologia avançada e de uma investigação específica da fisiopatologia” da doença. Estes e outros temas estarão em destaque durante a sessão “Changing the clinical landscape” integrada no evento “When innovation targets migraine”, agendado para o dia 13 de maio.

Durante mais de três décadas, “não houve inovação terapêutica na área da enxaqueca, para além do desenvolvimento de medicação aguda para as crises de enxaqueca, como a classe dos triptanos”. Esta é uma mensagem consensual partilhada pela Prof.ª Doutora Raquel Gil-Gouveia, coordenadora do Centro de Cefaleias no Hospital da Luz, em Lisboa, e pelo Dr. Andreas Gantenbein, do Departamento de Neurologia e Reabilitação na Zurzach Care RehaKlinik, na Suíça. Os dois especialistas serão os intervenientes da sessão intitulada “Changing the clinical landscape”, integrada no evento “When innovation targets migraine”, que acontece já no próximo dia 13 de maio.

“Com o advento dos anticorpos monoclonais– fármacos com um mecanismo de ação dirigido a um alvo terapêutico específico – estão atualmente disponíveis [na prática clínica] novas opções de tratamento para a enxaqueca”, assinalou a Prof.ª Doutora Raquel Gil-Gouveia. O primeiro a ser aprovado para esta indicação terapêutica, foi o erenumab, um anticorpo 100% humano que atua especificamente através do bloqueio do recetor do CGRP.

Durante o evento “When innovation targets migraine”, “serão apresentados os dados de eficácia e de segurança a longo prazo com os anticorpos monoclonais e dados de vida real com a utilização destes fármacos”.

O erenumab já está a ser utilizado na prática clínica do Zurzach Care RehaKlinik, na Suíça, há cerca de dois anos e meio. Segundo adiantou o Dr. Andreas Gantenbein, do Departamento de Neurologia e Reabilitação desta instituição hospitalar, os dados de vida real com erenumab suplantaram os resultados obtidos nos ensaios clínicos: “Esperaríamos que 50% dos doentes com enxaqueca tivessem uma resposta de 50%, mas de acordo com a nossa experiência na prática clínica tivemos uma proporção de respondedores superior a 70%."

 

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