Cápsula endoscópica "é o método com maior acuidade para diagnosticar e avaliar a extensão da doença de Crohn”

19/05/21
Cápsula endoscópica "é o método com maior acuidade para diagnosticar e avaliar a extensão da doença de Crohn”

A cápsula endoscópica “tem aberto perspetivas que se têm repercutido na progressiva melhoria técnica da qualidade deste método”. Quem o afirma é o Prof. Doutor José Cotter, diretor do Serviço de Gastrenterologia no Hospital Nossa Senhora da Oliveira. Em entrevista à My Gastrenterologia, a propósito do Dia Mundial da Doença Inflamatória do Intestino, refere a ausência de invasividade, excelente tolerância e ínfima taxa de complicações como as principais vantagens da cápsula. O Prof. Doutor José Cotter realça ainda que a doença de Crohn deve ser diagnosticada e a pandemia não deve impedir os doentes de se deslocarem aos hospitais. Leia a entrevista na íntegra.

My Gastrenterologia (MG) | Qual é a realidade da doença inflamatória do intestino em Portugal?

Prof. Doutor José Cotter (JC) | A doença inflamatória intestinal compreende essencialmente a doença de Crohn e a colite ulcerosa. Ambas são doenças crónicas e estima-se que, em Portugal, existam cerca de 25.000 doentes.

MG | De que forma é que o diagnóstico precoce é fundamental nesta doença? E está a ser bem conseguido? A pandemia veio prejudicar?

JC | Quanto mais precoce for o diagnóstico, mais rápido será o início do tratamento e menores serão as sequelas (algumas irreversíveis). Por outro lado, mais rápida será a recuperação dos doentes, com consequente melhoria mais célere da qualidade de vida. O atraso no diagnóstico conduz muitas vezes a uma deterioração do estado geral dos doentes, com frequente emagrecimento, desnutrição e anemia que tornam mais lenta a recuperação após o início dos tratamentos. Os médicos de família devem estar sensibilizados para o diagnóstico destas patologias, principalmente em adultos jovens, prescrevendo atempadamente os exames endoscópicos que permitem diagnosticar e estadiar, para que rapidamente os doentes sejam referenciados para uma consulta especializada de Gastrenterologia.

Durante o período pandémico, toda esta dinâmica esteve prejudicada, não só pelas dificuldades em recorrer aos médicos de família, mas também pelo atraso das consultas e pelo próprio receio infundado dos doentes em recorrer aos serviços de saúde. Isto fez com que muitos desses doentes tivessem sintomas prolongados durante meses, com assinalável repercussão negativa sobre o seu estado geral.

Leia a entrevista completa em My Gastrenterologia.

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