My Gastrenterologia (MG) | Qual é a realidade da doença inflamatória do intestino em Portugal?
Prof. Doutor José Cotter (JC) | A doença inflamatória intestinal compreende essencialmente a doença de Crohn e a colite ulcerosa. Ambas são doenças crónicas e estima-se que, em Portugal, existam cerca de 25.000 doentes.
MG | De que forma é que o diagnóstico precoce é fundamental nesta doença? E está a ser bem conseguido? A pandemia veio prejudicar?
JC | Quanto mais precoce for o diagnóstico, mais rápido será o início do tratamento e menores serão as sequelas (algumas irreversíveis). Por outro lado, mais rápida será a recuperação dos doentes, com consequente melhoria mais célere da qualidade de vida. O atraso no diagnóstico conduz muitas vezes a uma deterioração do estado geral dos doentes, com frequente emagrecimento, desnutrição e anemia que tornam mais lenta a recuperação após o início dos tratamentos. Os médicos de família devem estar sensibilizados para o diagnóstico destas patologias, principalmente em adultos jovens, prescrevendo atempadamente os exames endoscópicos que permitem diagnosticar e estadiar, para que rapidamente os doentes sejam referenciados para uma consulta especializada de Gastrenterologia.
Durante o período pandémico, toda esta dinâmica esteve prejudicada, não só pelas dificuldades em recorrer aos médicos de família, mas também pelo atraso das consultas e pelo próprio receio infundado dos doentes em recorrer aos serviços de saúde. Isto fez com que muitos desses doentes tivessem sintomas prolongados durante meses, com assinalável repercussão negativa sobre o seu estado geral.
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