Numa nota introdutória, ambos partilham da mesma visão de que a Psiquiatria e a Neurologia fizeram “dois caminhos diferentes, mas são muito complementares na realidade prática do dia-a-dia”.
Para o Prof. Doutor Pedro Morgado, faz “todo o sentido” continuar a falar desta relação e olhar para esta pessoa com enxaqueca como “alguém que tem uma doença complexa, em que as manifestações psiquiátricas podem ter a mesma base que as manifestações classicamente mais associadas à Neurologia e à dor”.
Pensar que qualquer doente crónico, independentemente da sua patologia, tem uma vivência que é potencialmente geradora de sintomas de ansiedade e depressão é uma das teorias apontadas, mas há também outra relacionada com o facto de a enxaqueca ser uma perturbação com alterações cerebrais, do ponto de vista dos neurotransmissores, em regiões críticas para as emoções, para as cognições e para o comportamento.
“Temos inclusivamente muitas perspetivas que encontram um paralelo muito significativo, entre aquilo que é o sistema de resposta à dor e, por exemplo, o sistema de resposta ao medo, e que encontram ativações disfuncionais destes sistemas a acontecerem em paralelo e a justificar quadros psiquiátricos que são comórbidos, ou do próprio síndrome associado à enxaqueca”.
A conversa entre os dois especialistas está disponível aqui.


