Hospitais têm falta de farmacêuticos para atividades clínicas, alerta OF

21/06/21
Hospitais têm falta de farmacêuticos para atividades clínicas, alerta OF
A Ordem dos Farmacêuticos (OF) afirma que uma das causas se deve ao atraso na concretização da Residência Farmacêutica, o que impede a formação e entrada de novos farmacêuticos no sistema nacional da saúde. Estudo da NOVA SBE evidencia o valor das intervenções clínicas dos farmacêuticos hospitalares.

A OF reforça a importância dos farmacêuticos hospitalares no funcionamento da estrutura hospitalar, responsáveis pela gestão de uma tecnologia de saúde com um custo anual de 1,3 mil milhões de euros para os hospitais portugueses. "A limitação de recursos especializados nas farmácias hospitalares dificulta o desenvolvimento sustentado e generalizado de práticas clínicas que otimizam a utilização dos medicamentos."

Esta preponderância dos farmacêuticos hospitalares é suportada pelo estudo da NOVA SBE que apresenta "vasta evidência científica" sobre o potencial clínico e económico de diversas atividades desenvolvidas pelos farmacêuticos hospitalares, como a revisão e reconciliação da terapêutica, a colaboração ativa nas visitas médicas, a avaliação de alternativas terapêuticas ou a monitorização/farmacovogilância da utilização de novos fármacos, entre outras intervenções que permitem prevenir riscos, erros de medicação, promover a adesão à terapêutica ou obter poupanças diretas com a aquisição de medicamentos.

O estudo apresenta exemplos de atividades levadas a cabo pelos serviços farmacêuticos de sete hospitais portugueses e conclui que são necessários mais farmacêuticos hospitalares nas unidades do SNS, de modo a compatibilizar as funções de suporte ou clássicas, associadas à produção e distribuição de medicamentos, com uma maior disponibilidade para as áreas assistenciais ou atividades de carácter mais clínico, colaborando na otimização e monitorização da utilização dos medicamentos e outras tecnologias de saúde.

A OF espera assim pelo desenvolvimento breve da Residência Farmacêutica, um regime de internato nos hospitais públicos que permite a especialização dos farmacêuticos, condição necessária para ingresso na nova carreira hospitalar e, consequente, para a renovação geracional do quadro de farmacêuticos no SNS. 

A nota de imprensa conclui com o voto de confiança da ordem na "indicação da Autoridade Central do Sistema de Saúde e do Ministério da Saúde para a abertura de vagas para a Residência Farmacêutica, esperando a entrada dos primeiros residentes em janeiro de 2022. Sem eles, as farmácias hospitalares vão continuar sobre forte pressão, com falta de recursos e subaproveitadas."

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