Apesar de o consumo tabágico nos doze meses anteriores ao inquérito ter diminuído em 18,4% entre 2014 e 2019, o consumo de cigarros eletrónicos sofreu um aumento de 7,2%, o que suporta o parecer do Prof. Doutor António Morais, o que suscita preocupação. "Só ao fim de anos é que temos a noção precisa do potencial malefício dos vários componentes", afirma o pneumologista referindo-se ao cigarro eletrónico. Segundo o próprio a utilização deste dispositivo está associada ao surgimento de inflamação aguda, com insuficiência respiratória grave, que se podem traduzir na necessidade de internamento em cuidados intensivos e até na morte do doente.
“A publicidade enganosa a estes novas dispositivos é feita de forma livre e agressiva, o que tem de ser contrariado, sendo uma medida de saúde pública urgente”, apelou o Prof. Doutor António Morais, advertendo que as autoridades de saúde têm de estar atentas a esta temática pois o cigarro eletrónico, para além de conter vários componentes do tabaco tradicional, tem outras valências cujo perigo ainda não foi totalmente apurado.
Apesar da redução do tabagismo em Portugal Continental, o vício contribuiu para 32,6% dos óbitos por doença respiratória crónica, 19,1% por cancro, 8,5% por doenças cérebro-cardiovasculares, 9,8% por diabetes mellitus tipo 2 e 14% por infeções respiratórias do trato inferior. Segundo o Prof. Doutor António Morais, a cada hora morre um doente com uma doença relacionada com o tabaco.
As autoridades de saúde revelam que a pandemia prejudicou o decréscimo do consumo de tabaco, pois abrandou o programa de cessação tabágica, com menos consultas realizadas e uma quebra na venda de medicamentos utilizados para esse fim, como a vareniclina.
A comissão de trabalho de tabagismo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia revelou que os portugueses fumaram menos na primeira vaga e aumentaram o consumo tabágico nas segunda e terceira vagas, provavelmente devido ao impacto que a pandemia teve na vida económica, laboral e social. Sobre isso, o Prof. Doutor António Morais refere que a pandemia “pode, como em outras problemas de saúde pública ter um impacto disruptor e negativo”.
Fonte: Observador


