COVID-19: 40% dos doentes cardíacos deixa de frequentar as consultas

06/07/21
COVID-19: 40% dos doentes cardíacos deixa de frequentar as consultas

A Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) realizou um estudo, envolvendo mil portugueses, com mais de 18 anos, para perceber o motivo do decréscimo dos doentes cardíacos nas consultas, desde o início da pandemia, e para motivá-los a voltar.

O estudo da FPC indica que 40% dos doentes cardíacos ficou afastado das consultas durante o período pandémico.

Os dados mostram também que, entre a população em geral, 91% das pessoas que se deslocou a uma unidade de saúde neste mesmo período considerou estar num local seguro; 98% dos inquiridos respondeu que iria ao seu médico caso precisasse e 99% da amostra garantiu continuar a adotar medidas de proteção, como o uso da máscara, distanciamento físico ou a lavagem das mãos.

"Os doentes cardiovasculares sofreram muito em termos de complicações, por não terem assistência devida e deixaram de ser tratados adequadamente, por perceberem que em caso de infeção as consequências seriam mais nocivas e por isso recolheram-se em casa. Verificou-se que as pessoas, à medida que foram sendo vacinadas, foram perdendo o receio", salientou o presidente da FPC, Prof. Doutor Manuel Carrageta, sublinhando o risco acrescido para os doentes cardiovasculares em caso de contágio pelo novo coronavírus.

O cardiologita fez notar que as pessoas tinham mais medo da COVID-19 do que da própria doença, o que levou a um aumento da mortalidade.

No entanto, hoje em dia, “os portugueses já sabem lidar com a pandemia e o receio do vírus já não coloca em causa o acompanhamento dos doentes cardíacos, como se verificava há uns meses".

De acordo com o presidente da FPC, os doentes, por "estarem assustados", mesmo os 60% que iam às consultas, faziam-no "com um intervalo maior". "Houve uma redução do acesso aos cuidados de Cardiologia. Agora é uma forma de compensação que vai durar um mês ou dois, para logo “tudo voltar à normalidade", assinalou o médico.

O risco de morte é maior num doente cardíaco infetado com COVID-19, mas o responsável da FPC explicou que as doenças cardiovasculares estão ligadas à idade, por a prevalência aumentar quando se é mais velho. E destacou que a maioria dessas pessoas já foi vacinada, ou pela idade, ou por serem doentes de risco.

O Prof. Doutor Manuel Carrageta apelou aos doentes cardiovasculares para que "voltem a ter um estilo de vida saudável", com a prática de atividade física e uma alimentação saudável, porque "aumenta a sua capacidade para resistir a qualquer infeção, nomeadamente à COVID-19".

Fonte: Lusa

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